A falência da ‘massa cinzenta’

No recente período que sucedeu a uma sequência de escândalos de má gestão, fruto de incompetência e compadrios, o setor bancário português pôs a nu a impreparação e o tachismo de uma série de personalidades que o sistema venerava, com a opinião pública a corroborar essa falácia.

Foram os tempos em que, chamados a contas em diversas instâncias, esses gestores e reguladores com salários pornográficos e regalias-extra insanas, apenas sabiam responder que “não sabia”, “não tive conhecimento”, “não podia controlar tudo”, entre outras pérolas de arrepiar qualquer empregado de escritório.

Agora, à escala internacional, mas com repercussões na nossa pequena economia e sobretudo nas nossas contas domésticas, o fenómeno parece estar a repetir-se. A cada vez que se revêm as taxas Euribor, ou outros mecanismos que regem os desempenhos dos mercados, a trupe liderada pela presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, surge com os lugares comuns e as explicações mais básicas.

A conjuntura internacional não está para grandes facilidades. Não há milagres. Mas não seria de esperar um rasgo, uma vez por outra, destes cérebros que nos impingem como sendo a ‘massa cinzenta’ que se distingue e vê mais longe? Que está muito à frente dos comuns mortais? Pois bem, os contribuintes dos grandes sistemas financeiros estão por sua conta; esta é que é a dura realidade.

Vivemos tempos conturbados e as previsões para o próximo ano não atenuam nada essa realidade. A avalanche de más notícias toca os mercados financeiros, agrava tudo no setor energético, multiplica os preços dos produtos mais básicos. De quem nos devia orientar, ou sugerir políticas suscetíveis de travar ou inverter a situação, não se ouve nem se sabe de nada. Ou seja, a tal ‘massa cinzenta’ tem tantas soluções como os pobres contribuintes, com a agravante de que estes últimos tudo vão pagar.

 

A época natalícia

Perante cenários tão pessimistas, entrar em desespero não é solução. É duro perceber que estamos entregues a nós próprios, mas isso não nos deve atormentar para além daquilo que é responsavelmente expectável.

Na Madeira, e com o privilégio das nossas tradições nesta altura, é legítimo que afrouxemos as preocupações – até porque nada resolvem – e dediquemos algum do nosso tempo a desfrutar daquilo que a nossa Região tem para oferecer. E que não deve ser apenas para quem nos visita.

A quadra em que acabamos de entrar é também um momento alto para a nossa Hotelaria e outros setores turísticos. A cidade do Funchal e cada uma das sedes de concelho da Madeira sabem disso e prepararam-se a condizer, o que cimenta uma alteração consistente naquilo que era habitual. Autarcas e governantes estão no caminho certo, a quadra festiva é para aproveitar, rentabilizar e disponibilizar para locais e visitantes.