A crescente insegurança na Madeira

Começam a ser indisfarçáveis os problemas de insegurança na Madeira, com maior incidência na cidade do Funchal.

Até há bem pouco tempo este era um não assunto, mas rapidamente tornou-se num problema muito evidente, deixando a descoberto a negligência a que estamos sujeitos na adoção de políticas públicas Regionais e Municipais para a mitigação deste flagelo.

O problema de insegurança na Região é consequência clara da pobreza, na região com a mais alta taxa de risco e exclusão social do país, e do abuso de substâncias psicoativas, onde a Madeira, mais uma vez, continua a bater recordes com um consumo quatro vezes superior ao registado no país.

Infelizmente, para quem nos governa, importa pouco compreender de onde surge este problema, por isso promovem-se medidas como fechar ruas a cadeado e querer o exército na rua.

O objetivo é o habitual: o PSD e o CDS não assumem responsabilidades, tudo é sempre culpa de outros, daí as críticas à PSP que está sob a alçada da República.

O PS defende uma forma totalmente diferente de encarar este problema. Já o defendíamos quando éramos poder no Funchal. Sem procurar inimigos externos e focados sim no que podia ser executado no limite das nossas capacidades.

Neste caso em concreto, sempre defendemos a concretização da Polícia Municipal no Funchal, um órgão administrativo com competências de segurança que ficam na dependência das Câmaras Municipais. Estão presentes em várias cidades por todo o país e podem muito bem exercer funções de vigilância e de dissuasão da criminalidade.

No Funchal, PSD e CDS, com o intuito de bloquear o trabalho da Câmara e arranjar argumentos para derrotar o PS, politizaram esta força de segurança, chumbaram a sua criação e agora não sabem como descalçar a bota.

É dramático assistir à incapacidade de fazer face a este problema, especialmente tendo em conta que o argumento de combate político é de criticar o que era feito, acusando de estar tudo mal e que, quando ganhassem as eleições (o que veio a acontecer), todos os problemas seriam resolvidos num curtíssimo espaço de tempo.

É irónico que Pedro Calado candidato falava dos sem-abrigo e culpava o executivo municipal do PS, mas Pedro Calado presidente da Câmara agora diz que o problema, que está muito pior, não é dele e critica a PSP.

A nível da governação regional, existem também culpas a serem apontadas, já que se abandonou todo um trabalho que era feito no acompanhamento dos sem-abrigo. Defendemos a existência de uma Comunidade Terapêutica e de Reinserção Social, mas infelizmente até essa proposta do PS foi vetada pela maioria PSD/CDS que impediram a sua discussão em sede de Assembleia Legislativa.

Importa perceber também o impacto além-fronteiras, onde somos notícia pelos piores motivos, e que consequências poderá isso ter na diminuição da procura ao nível do turismo, principal motor da nossa economia, pouco diversificada e que certamente trará outro tipo de problemas ainda mais alargados.

Neste ponto só existe um responsável: o PSD que governa a Região há 46 anos e que levou a Madeira à falência. É por isso que hoje alocamos 420 milhões de euros para pagamento da dívida e que muito poderiam contribuir para a melhoria das condições de vida da população.

O problema da insegurança requer uma solução multissetorial. Por isso urge implementar políticas de combate à pobreza criadoras de mais e melhores oportunidades, algo que o PS tem repetido insistentemente, mas que o Governo Regional não quer ou não tem sido capaz de implementar.