Não fui, mas quase que ia…

Voltei. Não resisti aos apelos!

Podem dizer que sou como os políticos. Que prometo e não cumpro. É verdade. Mas também não é mentira que esta semana me senti o mais perto de se estar morto. E o pior é que gostei… MUITO OBRIGADO por isso!

Desde as publicações aos comentários. Dos telefonemas às mensagens. Até ao facto da minha mãe ter guardado as cartas do leitor do dia seguinte ao meu último artigo. Senti-me no céu. Só que o tempo não pára. Isso já foi há uma semana. É altura, então, da missa do 7.º dia! Prometidas as minhas relíquias à Diocese, com autorização para a exposição das minhas partes íntimas, e enterrado o morto, “cuidemos” dos feridos.

Do Ronaldo, por exemplo! Imagino qual não é o desespero de um pai que, com 5 filhos e uma mulher para criar e uma família para sustentar, se vê desempregado. Logo agora que está tudo tão mais caro. É luz, gás, água, internet, leasing do carro e prestação da casa. Sem falar do aproximar do subsídio de natal da equipa de mordomos. Vá lá que em comida não gasta muito… Ainda assim, se não entrar em depressão vai ser uma sorte.

Por falar em sorte, desta vez a seleção não se pode queixar. Frente ao Gana teve a estrelinha. Ganhou, apesar de ter feito de tudo para empatar. Paciência. Há dias assim. Mas se o conseguisse, não se poderia dizer que teria sido por falta de aviso. Já neste Mundial, a Argentina tinha perdido e, à conta disso, tinha sido feriado na Arábia Saudita. Depois foi a vez do Japão limpar a Alemanha e, de caminho, aproveitar para deixar o estádio num brinquinho. E o que fez Portugal?! Portugal esteve vai, não vai para começar mais cedo a Black Friday. Com sorte ainda conseguia 50% de desconto no regresso pela TAP. Se esta voasse, obviamente.

Por falar nisso, será que também há promoções dessas no Catar? É que, por estes dias, a minha filha chegou-me ao carro com uma conversa estranha. “Pai, sabias que no país onde estão a jogar a copa (por vezes fala em português do Brasil), as mulheres não têm direitos?!”. Isto num tom indignado. Peguei no retrovisor e apontei-o para ela. “A sério filha?”. “A sério, pai. Não é justo”. Fiquei em silêncio. Não sabia o que dizer. Afinal de contas o nosso Presidente da República também já tinha reconhecido que o Catar não respeitava os direitos humanos, mas limitou-se a pedir que esquecêssemos isso. Só que ela, mulherzinha como é, insistiu: “lá, para as mulheres puderem ir ao futebol têm que ir com o marido ou ter uma autorização dele”. Assim, armada em pivete. Tal e qual. Eu, percebendo que aquilo trazia água no bico, respondi. “Sabes filha, cá também não é muito diferente!”. “Não pai?!?”, perguntou espantada. Parei o carro no semáforo. Virei-me para trás e disse-lhe: “Não querida. Já me viste ir a algum sítio sem a autorização da tua mãe?”. Ficou um silêncio estranho… “Elas também não podem sequer comprar um telemóvel sem a autorização do marido”, reclamou ela, ainda não satisfeita. “Não sei lá filha, mas aqui isso chama-se pin ou código secreto”. “Esquece pai. Tu não estás a perceber nada”. O sinal mudou de cor. Segui viagem. Pelo sim, pelo não, aumentei o volume. Estava a dar uma música que ela gostava e o assunto ficou por ali… Era só o que me faltava! Com 8 anos e já a querer ser uma defensora dos direitos humanos, não?! Menos, minha menina. Muito menos. Não tens idade para isso.

Não é por nada, mas é que a seguir por este caminho, um dia destes ainda me chega a casa a dizer que tem a solução para esta bandidagem que pulula pela nossa cidade. E não está certo. Não está certo porque depois vai contra o que diz o nosso Presidente do Governo. Ele já afirmou, para quem o quisesse ouvir, que “na Madeira ainda podemos deixar as portas de casa abertas que ninguém rouba”! Bem, eu não sei se é pelo senhor viver numa zona chique ou se por ter, eventualmente, polícia à porta, mas o resto do pessoal convém que as feche e bem… É que a Madeira está tão na moda que até alguns ladrões já vêm de fora. Juro. Só esta semana, no Cabo Girão, foram apanhados 2! Segundo o que sei, não tinham Visto Gold e eram de leste. Gente fina para fazer concorrência aos de cá. Uma espécie de mão de obra especializada. Se a moda pega, para o ano, para além daqueles prémios todos que agora ganhamos ano após ano, lutaremos pelo melhor destino insular para roubar do mundo. Nada mau. E sempre deve sair mais barato…

Ps, parabéns à Câmara Municipal do Funchal pela iluminação de Natal. Está linda. E começaram mais cedo. Sim, este ano, ali a partir das 18h é só luzes vermelhas espalhadas pela cidade. Quem ainda não viu que experimente, por exemplo, subir a 31 de Janeiro a essa hora. Mas, por favor, vá com tempo e não se distraia. Caso contrário para além das tais vermelhas podem ter que ligar umas laranjas que piscam e esperar que cheguem umas azuis que rodam. E é assim: mal não fica. Mas sempre atrapalha um bocado quem tem mais que fazer.