Eleições Regionais de 2023: os dados estão lançados? - Parte II

Feita a análise sobre a esquerda, cabe-nos, no presente momento, perscrutar a direita regional. E, começando pelo PSD/Madeira, oferece-nos dizer o seguinte como ponto prévio: Miguel Albuquerque é, de longe, o melhor político da sua geração. É, igualmente, o melhor candidato que o PSD/M poderia apresentar às eleições regionais de 2023.

Miguel de Albuquerque é um político hábil, intrépido, por vezes, quase temerário. Como sói dizer-se – perdoe-se-me a expressão – na gíria popular madeirense: “não papa grupos”. Mas não é só isso. É, simultaneamente, o político que convive bem com a cultura e com os agentes culturais; com a arte e com os artistas; com o cinema e com os cinéfilos; com a música e com os melómanos; com os republicanos e com os monárquicos; com os empresários e com os trabalhadores. É, nessa medida, um político com um perfil poliédrico – ou, melhor dito, com um perfil vencedor.

Daí que o PSD-M deva mobilizar-se com toda a força para disputar as eleições de 2023. Ao mesmo tempo, essa mobilização deve ser feita com o CDS, uma vez que os partidos vão concorrer juntos às Regionais de 2023. Esta coligação pré-eleitoral deve ser encarada com naturalidade. Se foi possível governar tranquilamente com o CDS durante quatro anos, será certamente benéfico para ambos apresentarem-se a eleições, em outubro do próximo ano, na máxima força, para no passo seguinte, governarem durante outros quatro. É uma questão de perceção do próprio eleitorado. Em política o que parece é, portanto: se a coligação governamental correu bem, não há outra decisão plausível que não seja a de se apresentarem a eleições juntos!

Por outro lado, é possível que em certas áreas seja preciso renovar os protagonistas. O simbolismo da mudança de protagonistas, nesta nova fase da vida política regional, é muito importante. Com efeito, o PSD-M sempre representou uma direita popular, interclassista, ligada às profissões populares madeirenses, que transformou filhos do povo em Presidentes de Câmara; filhos de operários em empresários. O PSD-M foi, é e sempre será um partido republicano, que, despoluidamente, representa(ou) (não só, mas também) o trabalhador madeirense. Não há, de todo em todo, um direito de sangue ao sucesso profissional e político.  Nessa medida, é curioso notar que a classe trabalhadora madeirense fez do PSD-M, pelo menos desde 1976, o seu partido.

Seguidamente, dir-se-ia que, tendo em conta o quadro político atual, a coligação pré-eleitoral (PSD/CDS), chefiada por Miguel de Albuquerque, deve pedir, sem inibições, peias ou constrangimentos, maioria absoluta ao povo madeirense. Falando claro, sem meias tintas – tudo em nome da estabilidade política e social. Para tanto, o PSD-M deverá apresentar um programa eleitoral aspiracional e transformador, para uma década.

Finalmente, quanto à direita à direita do PSD-M, socorremo-nos de duas ideias-chave: i) A IL é um partido que ainda está na infância e, como tal, não se consegue decantar, com exatidão, a sua verdadeira proposta política. É um partido que oscila entre o desejo de ser amado e o desejo de causar roturas. É-nos difícil vislumbrar sucesso eleitoral para a IL na contenda eleitoral de 2023; ii) O Chega, provavelmente, elegerá um deputado e, se assim for, entrará, pela primeira vez, no hemiciclo regional.

Por fim, e em jeito de remate, parece-nos lícito concluir que Miguel de Albuquerque tem razões para estar confiante e, para além disso, deve servir-se das palavras de Plotino – um ícone do neoplatonismo -, quanto à(s) política(s) de aliança(s): “Não sou eu que devo ir ter com os deuses, eles é que devem vir ter comigo”.