Atuemos na prevenção..., a droga, esse flagelo!

Há dias dei por mim a pensar em alguns jovens que conheço, que vi nascer, crescer e que, por alguma curiosidade, decidiram, um dia, experimentar algumas drogas…, para se divertirem, para relaxarem, para terem um “bom momento…”, mas, a verdade é que esse momento, rapidamente, se transformou num pesadelo para eles e para as suas famílias…, tal como aconteceu, e acontece, com tantos e tantos jovens, com adultos, com quem nos cruzamos nas ruas do Funchal, nas ruas do nosso país.

Um jovem em especial, que acompanhava na catequese, pediu-me, um dia, ajuda…, disse que precisava de parar com os consumos, pois estava a ficar sem vida…, deixou o desporto, juntou-se a amigos com dependências e passou a conhecer um mundo nada recomendável! Nas várias entidades pelas quais passou, e com as quais contactei, para que fosse possível encontrar uma solução, nem acreditavam que aquele jovem participava na catequese. Alguns colaboradores dessas entidades disseram-me… “…desculpe, está a dizer que é a catequista do …? Mas ele nem vai à escola… e vai à catequese?” Sim…, aquele jovem ia à catequese e pediu-nos ajuda…, tentámos encontrar a instituição que melhor se adequava às suas necessidades, tendo em consideração a sua idade…, fizemos vários telefonemas, vários envios de e-mails…, e encontrámos! Infelizmente a solução que se desejava não aconteceu, porquanto a instituição que estava pronta a acolhê-lo cobrava um valor mensal que era elevado para as possibilidades daqueles pais …! Tudo tentámos fazer para o tal acolhimento, mas não aconteceu… e ainda hoje vivo com essa frustração! Alegra-me saber que está algures por aí…, um adulto que encontrei nas redes sociais e que sei que tenta, a cada dia, equilibrar-se…, mas continuo a pensar que tudo poderia ter sido tão diferente se aquele menino, adolescente, tivesse conseguido entrar na tal instituição, se tivesse tido a oportunidade que outros jovens com pais mais endinheirados tiveram…, provavelmente teria conseguido “livrar-se” das dependências, ingressar no ensino superior e encontrar um trabalho com mais estabilidade! Continuo a dirigir o meu pensamento para ele, pedindo, de coração para coração, que não desista, que nunca deixe de sonhar e de acreditar que o amanhã precisa tanto do seu testemunho, do seu sorriso, da sua esperança.

Bem sabemos que desde novembro de 2001 que o consumo das drogas foi descriminalizado, mas não despenalizado, daí que os comportamentos de consumo continuem a constituir ilícitos de mera ordenação social, suscetíveis de aplicação de uma coima ao consumidor, bem como de medidas não repressivas e destinadas, sobretudo, a encaminhar os consumidores de droga para o tratamento, para a reinserção social e para o abandono do consumo.

A verdade é que todos estes mecanismos, algumas vezes, não funcionam… e quando tal acontece perdemos vidas, perdemos esperanças. Este martírio da droga pode “tocar” as vidas de qualquer um de nós, dos nossos… e não se pense que as pessoas estão, assim, por opção. No início existiu uma opção, é verdade, mas a final estamos perante uma dependência que deve ser tratada, e bem cuidada, independentemente das condições financeiras dos visados.

Atuemos, designadamente, na prevenção e junto dos mais jovens, com uma linguagem que nos “encaminha para a entrega radical de nós próprios à história dos outros”, não repressiva, desmistificando algumas realidades e fazendo perceber que a vida é tão valiosa que não pode ser desperdiçada com “brincadeiras” que trazem dinheiro a muitos (traficantes) e a desgraça a tantos.