A educação das nossas crianças

Há um provérbio africano que diz que “é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”.

Na verdade, a educação de uma criança deve ser o mais transversal possível, com a escola e a família a desempenharem os respetivos papéis, mas que pode ganhar muito quando toda a sociedade se empenha e se une nessa tarefa. Daqui pode resultar uma aprendizagem mais alargada e um enriquecimento das crianças e dos que se entregam a essa tarefa de educar dentro e fora do sistema de ensino convencional.

Se há missão que merece realmente a entrega de uma ‘aldeia’ inteira é, sem dúvida, a educação das nossas crianças. E aqui o uso do pronome possessivo ‘nossas’ faz pleno sentido, pois uma criança é realmente uma responsabilidade de toda a comunidade, na exata medida em que é também um importante capital de futuro dessa mesma comunidade. Talvez o maior capital e que exige, por isso, um igual nível de entrega de todos.

A Câmara Municipal de Santa Cruz tem vindo a implementar, nos últimos nove anos, uma forte ligação com vários parceiros, desde associações a grupos culturais e outras agremiações. A ideia central é que realmente juntos e em articulação não há setor, ideia, projeto ou atividade que não se torne mais profícua e mais rica.

Com este objetivo em mente, promovemos, no início deste ano letivo um encontro entre os diretores de todas as nossas escolas e várias associações, organismos e também serviços camarários no sentido de apresentarmos uma série de áreas onde poderá haver cooperação, envolvendo forças vivas no enriquecimento educacional das nossas crianças.

Às escolas deu-se a oportunidade de conhecer o trabalho e projetos de toda uma série de parceiros, disponíveis para colaborar com as escolas em iniciativas que enriqueçam a aprendizagem das crianças e jovens que frequentam os nossos estabelecimentos de ensino.

Ao nível interno, foi dado a conhecer os Serviços Educativos da Casa da Cultura de Santa Cruz e as suas oficinas criativas, bibliotecas municipais, bem como os serviços de ambiente e uma série de ações que podem ser desenvolvidas em parceria com as escolas, por forma a criar uma consciência ambiental mais alargada junto das novas gerações.

Presentes estiverem também organismos como a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens com o seu projeto da Ludoteca Itinerante, que pode criar iniciativas em parceria com as escolas sobre os direitos das crianças e a prevenção de abusos e maus-tratos; a DECO, que pode colaborar na formação de consumidores mais atentos e conscientes; a Associação de Astrónomos da Madeira e o Conselho Municipal para a Igualdade e as importantes questões da violência e igualdade de género.

Parece-me claro que tão importante como as crianças irem à escola, é toda a comunidade ir também, fazendo da escola um lugar privilegiado de encontro, de partilha e de aprendizagem mútua.

Investir numa criança e na sua educação é investir a sério no futuro. Se este esforço for de um coletivo cada vez mais alargado, os ganhos serão mais transversais.

A uma autarquia, com a sua política de proximidade, cabe estabelecer estas pontes e contribuir para que as mesmas resultem numa sociedade mais justa, empenhada e próspera. Bom ano e bom trabalho a todos.