Que façamos caminho...

O Papa Francisco, na recente entrevista concedida a Maria João Avillez, num exclusivo TVI/CNN Portugal, pede-nos que olhemos para a janela e que nos perguntemos: “A minha vida tem uma janela aberta? Se não tiverem, abram-na o quanto antes. Não tenham vistas curtas. Saibam que estamos a caminhar para o futuro, que há um caminho. Olhem para o caminho.”

Este pedido deve estimular-nos a atuar, não obstante as contrariedades, as dificuldades e a fazer caminho … iluminados pela Fé que é este ardor no coração que nos impele a fazer mais e melhor em qualquer matéria ou área em que nos encontremos.

No pretérito dia 15 de setembro os dados publicados pelo “Eurostat” (que é o Serviço de Estatística da União Europeia) revelam-nos que Portugal, e tendo por referência o ano de 2021, passou da décima terceira posição para a oitava posição na lista de países com maior risco de pobreza e exclusão social.

Logo, Portugal passou a ser o oitavo pior da União Europeia, registando-se o maior agravamento desde 2003, e numa inversão da tendência decrescente que se vinha a verificar desde 2015.

Efetivamente, 2,3 milhões de portugueses estão em risco de pobreza e de exclusão social, sendo as mulheres as mais prejudicadas, tal como os desempregados e as famílias monoparentais.

Não esqueçamos, ainda, que temos cada vez mais trabalhadores que não conseguem pagar a prestação bancária, nem os livros escolares dos filhos, pois preocupam-se em alimentar a família, bem como em pagar a água, a luz e o gás.

Neste contexto, surge a desilusão, o desânimo e, ainda, o “quiet quitting”, ou seja, os trabalhadores, principalmente os mais jovens, que apenas cumprem o seu horário de trabalho e que não estão disponíveis para dar mais de si ao trabalho, provavelmente por considerarem que as chefias não lhes dão o devido reconhecimento, nem os motivam, e que dispõem de salários e condições de trabalho pouco aliciantes.

O nosso país colocou, sempre, a tónica no apoio aos mais carenciados e olvidou a necessidade de criar riqueza que tão necessária se torna para combater o risco de pobreza e de exclusão social.

Atuemos, façamos caminho, não nos bastemos com o que nos vão entregando, coloquemos os nossos dons a render em prol do bem comum para que possamos estar bem longe daquele oitavo lugar na lista dos países com maior risco de pobreza e exclusão social.

Aproveitemos o Plano de Recuperação e Resiliência (PPR), com um plano de execução até 2026, concretizando-o com uma legislação que se torne o mais possível unívoca e não um simples “copy paste”, do que quer que seja, em que não se consegue vislumbrar o significado do que ali se encontra previsto e que se traduzirá em sucessivos atrasos na aludida execução.

O que hoje não fizermos, significará, amanhã, uma oportunidade perdida, uma pessoa que ficou sem aquele trabalho que ambicionava, sem a sua casa, sem a possibilidade de pagar os estudos aos filhos que tanto queriam iniciar a sua licenciatura…, tudo isto continua a acontecer e teremos de inverter esta tendência … e permitam-me … com Amor, pois “o poder, o trabalho, baseado no Amor é mil vezes mais eficaz”.

Estamos, sempre, a tempo de abrir a janela e de fazer caminho que nos auxilie a tornar o nosso país como um exemplo no aproveitamento honesto dos 16.643M€, que nos chegarão pela via do PRR, criando riqueza, auxiliando os mais necessitados.

Na vida aprendi que as fadigas, as vulnerabilidades, as feridas nos capacitam para olhar o mundo, as pessoas, como uma oportunidade para transformar os outros no melhor que poderão ser – que estes resultados do “Eurostat” interpelem os nossos governantes a não terem vistas curtas, a fazer caminho que diminua as desigualdades.