Três pontos e nenhuma vitória

No futebol, os três pontos espelham uma vitória. Mas estes, que hoje vos trago, não parecem trazer nada de bom ao Governo. Nem ao (des)Governo, nem a nós, portugueses.

1. João Costa, Ministro da Educação

Comparou a relação do Estado português com as suas regiões autónomas a uma relação entre dois Estados soberanos, alegando que a Madeira e os Açores estavam à espera da sua esmola. Isto relativamente à recuperação do tempo de serviço dos professores pois, para João Costa, a Madeira e os Açores não têm o peso das aposentações.

Se isto não fosse tão mau, até tinha piada.

O que o Ministro se esqueceu de dizer foi que os professores da Madeira descontam, como qualquer congénere em outra parte do território, para a Caixa Geral de Aposentações que é a entidade que lhes paga, justamente, as pensões.

O que o Ministro se esqueceu de dizer foi que a Madeira, no uso da sua autonomia, da sua proximidade e da justiça que o processo pedia, conseguiu recuperar integralmente o tempo de serviço da classe docente. Ao contrário do que aconteceu e acontece em Portugal Continental, onde o próprio diz que não vale a pena “empatar” tempo com negociações.

Ficou clarinho como água que o PS não está interessado em defender e dignificar esta classe, nem em valorizar o setor da educação.


2. Elvira Fortunato, Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

A ministra Elvira repudiou as praxes, pediu um “ambiente académico inclusivo, inspirador e seguro” e disse que vai ser lançado “brevemente” um programa para aumentar o aproveitamento e reduzir o abandono escolar.

Guerras à parte no que à praxe diz respeito, fiquei muito triste por ver que a Senhora Ministra não partilha do mesmo nível de preocupação no que à falta de alojamento, aos preços exorbitantes de rendas, à falta de condições em algumas universidades e às demais dificuldades dos alunos diz respeito.

Estamos de acordo quando se defende que as praxes abusivas devem ser denunciadas, mas não podemos menosprezar aquilo que de bom continua a haver em muitas faculdades do país. É pena que, até no que se refere à praxe, se fale com superficialidade e falta de conhecimento.

Fica por saber o que é que, no imediato, se irá fazer para dirimir os problemas dos alunos universitários. É que o “brevemente” do PS demora sempre muito tempo.

Não esqueçamos que não há alojamento suficiente para os estudantes que entraram para o ensino superior e que o Presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas defende um reforço da ação social escolar porque prevê o aumento do abandono escolar.
Mas a praxe, a praxe é que tem de acabar!


3. Manuel Pizarro, Ministro da Saúde

Sucede a Marta Temido. Vem imbuído da amizade com Sócrates, esse socialista nunca esquecido que se vai reencarnando nos membros do Governo da República. De Secretário de Estado socrático chega a Ministro de Costa.

Há quem tenha escrito, até, que, esta semana, assistimos ao desaparecimento do “último pingo de vergonha que o Governo socialista possuía”. Valha-nos essa magia: sai a vergonha, entra Ministro.

Nada mais acalenta a alma do que saber que o Senhor Ministro acha que “mesmo em comparação com outros serviços públicos de saúde de países mais ricos que nós, podemos ver o nosso SNS a dar uma resposta, baseada sobretudo no esforço e na dedicação dos seus profissionais”.

Pode começar pelos profissionais. Dedicados e exaustos.

É que já estamos todos cansados de conversas cor de rosa e eles merecem muito mais do que isso.

Palavras o vento leva.