Voltamos aos loucos anos 20?

Nas tradições de festas regionais estão os típicos arraiais das paróquias, as festas e espetáculos de verão. É normal os madeirenses, junto com os emigrantes de férias e turistas frequentarem estas festas.

Observando a olho nu é possível notar que estas festas estão muito mais frequentadas atualmente, comparativamente ao período de antes da pandemia. Vejo enchente de gente nas festas e nos concertos. Esteja chuva ou sol, as pessoas vão. Aqui e no mundo. O número de passageiros aumentou. Em alguns aeroportos existem filas de espera entre 4 a 5 horas só para entrar no próprio aeroporto. Não me lembro de assistir a isto antes da pandemia.

Tudo isto fez-me relembrar os chamados “loucos anos 20” do século passado. Que coincidiram também com a pós pandemia da gripe espanhola e pós primeira guerra mundial. Ou seja, nós humanos estivemos fechados e condicionados na socialização, agora tal como no século passado, precisamos naturalmente de festas. Principalmente os jovens onde a socialização deverá ser o oxigénio deles.

Pode até ser aceitável o regresso dos” loucos anos vinte”. O que não será aceitável é a repetição da Grande Depressão, a recessão dos anos 30 que começou nos EUA e correu o mundo. Por isso em vez de falarmos tanto sobre as festas (loucos anos 20) vamos exigir a não repetição da Grande Depressão. Podemos tentar!

Depois da pandemia, a maioria de nós parece que está ou na preparação de uma festa ou a vivenciar a própria festa. Boom, boom, boom ouvimos nas festas, nas redes, em todo o lado. E em outubro teremos, na minha opinião, mais um “boom”, os prometidos 125 euros e/ou 50 euros por filho dependente que será dado pelo Estado português. Sinto que este ato do Estado é como aquele foguete que não pegou fogo a tempo e que rebenta depois do final da festa para nos enganar. Boom!

Em outubro um “boom” fora de horas, em novembro virá o subsídio de Natal para os não precários e em dezembro virá provavelmente a continuação dos “loucos anos vinte”. “Dinheiro extra”, jantares de trabalho, de amigos e de família, compensando “loucamente” os anos de pandemia.

Depois do barulho do fogo vem o silêncio. O fim da festa. Aquela sensação “pós lua-de-mel” Acabou a preparação da festa, a festa e a lua-de-mel. Voltar à realidade!

Depressão, vazio?

Janeiro?

Tudo aumentou, menos o nosso ordenado ou reformas (miragem nas atualizações?). Vamos sentir os aumentos sem o “boom” fora de horas e sem as distrações das festas. Estará frio, os dias estarão mais pequenos e escuros. Vamos sentir as dificuldades. Provocadas pelas nossas escolhas de governos, PSD/CDS e PS. Somos responsáveis!

É verdade que não podemos voltar atrás, mas podemos manifestar-nos (manifestações e greves.). É na luta que o governo cede às propostas necessárias.

Se precisamos de mais dinheiro/receita fiscal no orçamento para aumentar/atualizar ordenados (único modo de combater a inflação), porque não o podemos fazer taxando quem tem ganho vergonhosamente bem com o aumento de preços? É uma proposta do BE. O Estado não quer. Em relação ao aumento dos juros, o Estado não garante ajudas, enquanto o Governo Regional aplaude as casas de luxo. Vamos pagar mais ao banco, como?

Tudo caminha para uma Grande Depressão. Estou preocupada! Temos de nos manifestar, na rua, nos “likes” e aplausos aos partidos que não querem a Depressão de volta!


“Recessão é quando o seu vizinho perder o emprego; depressão é quando você perde o seu.”
Harry Truman