Moratórias do Mercado dos Lavradores

Na altura do Covid, a maioria PS possibilitou que os concessionários das lojas pudessem pagar as rendas isentos de juros.

O PSD no seu manifesto eleitoral defendeu que essas rendas fossem isentas, mas agora no poder está a cobrar as rendas com juros de metade de cada renda por cada mês, se a renda é €1000,00 o concessionário tem de pagar €1500,00 euros por cada mês de atraso.

O problema do mercado é a falta de organização e solidariedade entre os feirantes, que podiam ter uma associação, mas responsabilizam- se a título individual.

O mínimo que o PSD poderia fazer era cobrar estas rendas sem juros, mas as promessas eleitorais são apenas para as campanhas.

Acabaram com a derrama agora têm de ir buscar dinheiro a todo o lado, nas multas que querem cobrar, nos acessos às praias, etc.

Dizem que ganharam as eleições por causa da ciclovia, mas as promessas no mercado também valeram, porque aí é onde se passa a palavra.

É um erro tremendo a título político cobrar os juros pela moratória, mas sabe-se lá a táctica do PSD.

Dizem que a culpa é da Cristina Pedra, e o Calado fica incólume.

Eu se estivesse no Mercado, sentia repulsa de ter de pagar tais juros, quando na época do covid as coisas foram como se viram.

Estes feirantes não merecem nenhum tipo de apoio, não percebo porquê.

Nem existe nenhum partido por detrás destas demandas, exactamente porque no mercado ninguém acredita em partidos, é tudo boa gente, farta de ser enganada, e de servir como amostra para fotografias de campanha.

Se o mercado está bem gerido é coisa que não domino, dizem que vão fazer um restaurante de peixe, não seria má ideia, agora para quem, isso é a dúvida.

Quanto às obras de reestruturação essas, há muito que estão prometidas.

Talvez a melhor beleza arquitectónica do Funchal está ao desmazelo, mas o que interessou foi destruir rapidamente a ciclovia e dar um ar que assim se resolve os problemas de trânsito, prometendo um túnel também.

Tantos mercados por essa europa fora são icónicos, e nós com uma obra arquitectónica de excelência só nos preocupamos com as rendas.

Tem de haver investimento, a Arae foi ao mercado e viu que os frigoríficos e a área de peixe estavam uma desgraça, agora não sei como estão.

Será que deviam cobrar juros de rendas ou investir mais no comércio tradicional do mercado, que tantos estrangeiros recebe.

O mercado está a ficar cheio de cafés e só à sexta e ao sábado parece um mercado a sério.

Falta estratégia e visão para o mercado, e os feirantes não sabem nada sobre os compromissos futuros do mercado, exactamente porque estão a ser deixados de fora, não são ouvidos em opções tão importantes, que podem devolver ao mercado dos lavradores o charme de outros tempos.

Mas o que interessa é cobrar juros e assim os feirantes/concessionários, são carne para canhão numa falta de estratégia visível num dos maiores símbolos da nossa região.

Faz falta que se juntem os feirantes e exijam uma reunião camarária, e acima de tudo que venham ideias de dentro do mercado sobre o futuro próximo, assim deveria ser a capacidade de integração dos feirantes no processo de evolução, dum lugar histórico.