Ressabianço e amargura

É a silly season. Uma época em que, pela falta de notícias, qualquer soundbite é chamado à primeira página dos melhores jornais.

O interesse é relativo e o humor diário com o que se tenta dar importância para encher as páginas dos nossos diários, fazem com que seja mesmo uma época divertida.

Esta semana ficámos a saber que o Funchal Sempre à Frente deixou o CDS para trás. Pouco a pouco, Pedro Calado foi dando cabo da coligação que o levou à vitória em setembro passado e, neste momento, na Câmara Municipal do Funchal, apenas o PSD manda. O CDS foi humilhado e chutado para canto, já não sobra um único vereador. Agora, o CDS serve apenas para compor a Assembleia Municipal e nem desses deputados municipais o PSD precisa, pois, sozinho, consegue manter a maioria. Sobram alguns vogais de executivo de Junta de Freguesia, que, mais dia menos dias, seguirão o mesmo caminho dos seus companheiros de partido e serão colocados na beira do prato.

Aos poucos, o líder da concelhia do PSD-Funchal, mostra que o seu caminho é totalmente diferente do líder regional do PSD. Enquanto o primeiro está confortável, pois os eleitos do CDS não contam para a maioria, o segundo desespera para tentar segurar a maioria que governa e que para o próximo ano vai a eleições. Um claro sinal de Pedro Calado, que não estará para facilitar a vida a Miguel Albuquerque. O cheiro a sangue é muito e há já quem sinta o sabor amargo na boca.

Para contrabalançar, Albuquerque junta todo o passado mofento de Jardim numas jornadas da diáspora, onde muitos dos ex-secretários regionais marcaram a sua presença. As forças medem-se diariamente, e se um ameaça com expulsões, o outro pavoneia-se isolado com os seus súbditos, protegido pelo empresário-mor do regime. Até a cor da indumentária é diferente, para que saibam bem distinguir as alas.

A digestão não está fácil e vamos assistindo a cenas de ressabianço, com discursos azedos e amargurados. Já não conseguem mostrar um sorriso, o ódio e desprezo é tanto que sentimos os perdigotos a saltar de cada vez que cada um abre a boca.

Perante o trabalho cada vez mais forte do PS-M e do seu líder Sérgio Gonçalves, Albuquerque espuma. Por cada apontar do dedo por parte do PS-Funchal, sobre as políticas errantes Municipais, Calado torna-se mais amargo. O desespero persegue-os e as suas lutas internas toldam de tal modo as suas visões, que se esquecem que têm uma região e uma cidade para governar. Enfim, perdemos todos nós.

O saco de gatos laranja está ao rubro, não se entendem. Autarcas ignoraram os membros do governo, os membros de governo desprezam os autarcas e pelo que corre por aí, nem entre os deputados o ambiente é bom.

Se na silly season estas coisas têm imensa graça, quando chegarmos a setembro será então hilariante. Haverá expulsões? Irão calar-se as vozes internas dissonantes? Ou vão apetrechar o Governo com mais meia dúzia de tachos e assim tentar calar quem agora incomoda?

Entretanto, por cá, há autarquias que deixam de comemorar o dia da freguesia, para irem todos à festa do PSD. O pior é que falharam no alvo, não teria sido difícil esta autarquia ter mais gente que a festa do pó laranja. Conta por quem lá andou, que além do clima de crispação, associado a um calor vindo de leste, poucos sentiram entusiamo com os discursos, perante uma escassa plateia, com apenas aqueles cujo seu emprego depende de quem lá estava com o caderno de apontamentos a verificar se se teriam deslocado à famosa herdade.