O almejado debate

Com a edição do Fórum Madeira que ontem terminou estão lançados os alicerces para um debate frontal e sobretudo honesto sobre o futuro das comunidades, uma vez que prevalece constitucionalmente o direito de se ausentar de território nacional e o de regressar. Uma vez que nunca foi posto em discussão o direito de sempre que quaisquer portugueses se vejam em situações de indigência ou incapacitados de, pelos seus próprios meios, suportarem os custos das viagens de regresso e de reintegração no seu país natal, como são alguns casos de emigrantes oriundos da Ilha da Madeira e residentes atualmente na África do Sul. Creio ser oportuno, tão breve quanto possível, que nos debrucemos sobre esta matéria que é de importância vital e poder antecipar situações menos boas, mormente, em países de acolhimento em que os seus líderes içaram a bandeira da destruição. Neste país de acolhimento, os nossos emigrantes, embora não se encontrem em pânico ou situação de desespero, também não é menos verdade da existência de uma situação ofega no que tange o futuro.

Na minha opinião é premente um debate sobre o futuro das comunidades, é mesmo improtelável. Esses futuros debates, deverão ser efetivados nos diferentes países onde residem as comunidades, nomeadamente, África do Sul e Venezuela e que esses debates sejam alargados sem a presença de pessoas semostradeiras, mas sim com conhecimentos, interesse e um bom traquejo dos assuntos da sua comunidade e não com pessoas que estiveram adaptadas ao sistema e agora se escapolem quando as diversas situações que se nos apresentam no dia a dia requerem devotamento e relevância.

Numa altura em que na África do Sul, país de acolhimento de cerca de 600.000 portugueses incluindo luso descendentes, convenhamos, que estes últimos são superiores à população da RAM e deverão ser incluídos em qualquer debate. Sem eles, não há futuro para as comunidades e só assim o debate poderá ser exitoso, pleno e com a integridade que se almeja. Há que haver astúcia política com uma aproximação bastante cautelosa para que as comunidades possam beneficiar do debate e conclusões que permitam assegurar a permanência nesses países influenciados pelos seus arquitetos da pobreza ou da destruição criativa como o que vimos constatando que prognosticam o menos recomendável que podemos facilmente aquilatar o país do presente quando o comparamos com o país do passado.

Com um debate a se realizar no coração de cada comunidade evitar-se-ão potenciais distorções da situação real de cada uma delas e as conclusões a retirar serão mais acuradas e poderão ser conducentes à formação e ou eleição de parlamentares para as representarem. Não podemos ser assim, ou melhor, continuar a ser assim. Para que esse debate se possa realizar, porque é possível, na minha opinião pessoal, é chegada a hora para uma aglutinação de esforços, congregação de ideias e propostas coerentes ao invés de qualquer tentativa de fragmentação para que o debate que se requere seja uma realidade com vantagens para quem nos governa e para toda a Diáspora, e que poderá, em meu entender, ser uma boia de salvação que possamos estruturar para fazer frente a um futuro que se pretende auspicioso mas que nos dias de hoje ainda não conhecemos ao certo.