O problema do mensageiro

Andamos por estes dias atolados em factos deprimentes. A maioria como resultado da inépcia de quem deveria liderar e agilizar processos. Mas nada, mesmo nada, ocorre em termos de responsabilização a não ser a constatação do óbvio: quem se vai tramar são sempre os outros ou… o mensageiro.

Por exemplo, o PRR, tábua de salvação da economia nacional, está atrasado seis meses. E ainda aqui vamos… Portanto, o nome do plano para recuperar a Europa não poderia ter sido melhor empregue, porque teremos mesmo de ser resilientes para saber aguardar pelos apoios. Quem puder, todavia, que faça pela vida sem (des)esperar pelo PRR. Porque os prazos sempre foram irrealistas, porque apareceu a guerra, porque… porque! 

Outro problema é quando a notícia não se coaduna com a expectativa dos protagonistas. Aí, pronto, está o caldo entornado, porque o problema da mensagem reside invariavelmente no mensageiro. Porquê? Ora, porque sempre foi assim…

Veja-se o que se passou no Lar Maria Aurora. O Jornal interessou-se por uma questão que iria resultar no despejo de 21 utentes. Mais uma vez, o problema, para quem foi alvo da notícia, é o mensageiro. Porque os idosos até são bem tratados. Aliás, não seria de esperar outro tratamento, quando as mensalidades vão por inteiro para a gerência do Lar, que nem se dá à maçada de pagar aos donos do edifício. Assim, até deve sobrar mais para zelar por todos os utentes. Basta fazer as contas.

No PSD-M também não há azedume nenhum. É o Jornal a inventar. Estão todos unidos em prol do líder, como se ouve na gíria. Embora ninguém dissesse o contrário, atenção. Esquecem-se os unionistas (o clube já terminou, mas parece servir alguns laranjas) que a maioria anda de olhos bem abertos e que é impossível afagar egos que carecem de afirmações constantes. Há trabalho, há. Há dedicação, há também. Mas há igualmente a noção de que o afastamento do presidente da CMF do leque de discursantes do Chão da Lagoa não agradou a boa parte dos social-democratas. Porque, historicamente, não é normal. É um facto. É mentira? Claro que não. E se não acreditam, perguntem aos militantes. Vão encontrar uns quantos surpreendidos com a opção. E assim perceberão, também, quem são os laranjas unionistas e façam o favor de intitular os surpreendidos como meros militantes. Mas não de divisionistas.

Tudo isto, no entanto, é passageiro. Há sempre tempo para inverter problemas e resolver desavenças. Tempo que deixou de existir para o campeão dos adeptos, Pedro Paixão, porque a vida é assim, malvada, não olha para quem é boa ou má pessoa. 

Nunca privei com o jovem. Fui ouvindo conversas de bastidores, mesmo sem querer, por imperativos profissionais. Porque o rapaz tinha talento de sobra. E era alegre, um daqueles bem dispostos contagiantes. Talvez por isso, mesmo que por manifesto azar não tenha vencido um rali, seja considerado um campeão. E são os adeptos que o atribuem. Há melhor título do que esse?