Máscaras que nunca vão cair

E pronto. Depois de amanhã, as máscaras, uma espécie de derradeiro bastião do vírus, deixam de ser obrigatórias! E não. O ‘bicho’ não desapareceu, como constatamos face ao aumento substancial de novos casos detetados no continente desde que o povo passou a poder circular de cara destapada.

Parece apenas que a maioria se juntou à minoria e também venceu o medo da covid-19. Ou seja, correndo o risco de chocar algumas mentes mais conservadoras, entramos agora numa lógica mais negacionista sustentada com a teoria da vacinação e recuperação de boa parte da população. Tudo certo. E basta que se respeite a opção de cada um. Quem quiser andar de máscara, que o faça. Quem não quiser – e muitos nunca quiseram – também merece andar na rua. Liberdade, certo?

Mascarado, no entanto, continuará o bom senso. O senso comum que deveria moldar todas as decisões, ainda para mais quando o que se decide (ou deixa-se andar) transforma o destino dos outros.

Atente-se ao exemplo – mau, atenção – que deu a Associação de Futebol da Madeira em torno do Regional de Futebol sénior. Conseguiram fazer o mais difícil: estragar um final de época com todos os ingredientes para ser memorável, ou não tivessem as quatro melhores equipas terminado em igualdade pontual!

E o que fez o organismo que tem de zelar pelo bom funcionamento da modalidade? Nada! Alimentou a dúvida e deu azo à intriga (vestiu a pele de mau adepto, como tantos que temos visto por aí), demitindo-se da decisão de explicar, com a clareza e rapidez possível, os critérios de desempate que organizariam a classificação. Ao invés de declarar e congratular o campeão regional de imediato, a associação deixou o barco andar… sem rumo. É verdade que há tempo para homologar o vencedor. Mas se um VAR que demora 3 minutos já chateia, imaginem um que dura de sábado até quarta-feira! E assim, como é óbvio, nem o vencedor declarado encontrou o reconhecimento que lhe seria devido.

VAR que é completamente dispensável para ajuizar o comportamento incorreto que tem prevalecido por estes dias no Parlamento madeirense. Todos veem que a postura não se adequa à casa da democracia. Democraticamente falando, cada um é livre de dizer o que quer. Mas andarem a falar uns em cima dos outros…

A verdade é que são eleitos e dão razão a quem diz que na política, não raras vezes, o debate público assenta na arte da ilusão – às vezes, é verdade, descamba em histerismos coletivos. Portanto, ganha quem não gagueja apesar de o discurso até poder ser menos coerente comparativamente ao dos que falam mais baixo e aos soluços. Ninguém liga ao conteúdo. Basta que a ‘máscara’ seja do agrado geral.

Com máscara ou sem máscara, (quase) todos reprovam as razões de Vladimir Putin para invadir a Rússia e ameaçar o mundo. Só que também ninguém consegue explicar muito bem como é que, num ápice, a guerra é a justificação para todos os aumentos que se verificam nos mais variados produtos. Ninguém tinha stock, outros produtores, nem meios para suster a escalada de preços. E ninguém teve vergonha de duplicar preços quase instantaneamente. Arrisco dizer que houve até quem se tenha apercebido que havia guerra quando olhou para os preços do azeite…