Estórias’ da nossa época 2021/2022 - parte 2

Com a descrença que o mister Rui Borges ia demonstrando nos jogadores disponíveis no banco, quando foi confrontado pela comunicação social sobre a necessidade de ir ao mercado de Inverno, Rui Borges assumiu que estaria satisfeito com o plantel à sua disposição. Mas a realidade o que víamos, jogo após jogo, indicava a urgência em reforçar a equipa no mercado de Inverno. Isso não aconteceu, o que resultou na falha da equipa nos momentos capitais na reta final do campeonato, impossibilitando a tão “prometida” subida à Primeira Liga. Perdemos a AMBIÇÃO.

Já não se constroem plantéis bem-sucedidos baseados apenas em viagens ao Brasil ou no instinto do Presidente ou no visionamento de vídeos disponíveis na internet. A gestão do futebol contemporâneo está nos antípodas dessas práticas do passado. A constituição dos plantéis de futebol profissional nos dias de hoje, são feitas não só pela “qualidade de bola” mas por muitos outros parâmetros essenciais para a obtenção do rendimento dos jogadores definidos com base na posição de cada jogador.

O que temos assistido no Clube Desportivo Nacional são contratações feitas de forma avulsa e desgarrada, ficando a perceção de que o critério é haver um jogador livre no mercado. Longe vão os tempos, que ainda havia alguma “pontaria” nas contratações, que poderiam ter dado uma grande estabilidade financeira ao clube, mas essas oportunidades não foram aproveitadas.
Poderíamos estar melhor financeiramente? Julgo que sim.

Olhemos para o plantel com maior valor económico-financeiro que o Clube dispôs nos últimos anos, o da época 2008/2009 no último acesso à Liga Europa. O clube registou nesse período vendas acumuladas no valor de 8,5 milhões de euros, destacando a venda do Filipe Lopes ao Wolfsburg por 2,5 milhões de euros, o Nenê ao Cagliari por 4,5 milhões de euros e 50% de 3,0 milhões de euros do Ruben Micael ao FC Porto.

Estes resultados acrescidos dos valores dos patrocinadores, dos direitos de transmissão televisiva, das subvenções anuais do Governo Regional e do enorme investimento na construção do Estádio da Madeira, pergunto-me como não foram fonte de estabilidade financeira, dando uma nova capacidade de investimento no futebol profissional bem como no próprio clube? Lembrando que houve vendas acumuladas desde 2004 superiores aos 15 milhões (Diego Benaglio, Mexer, Lucas João, Zainadine Jr., Aly Ghazal, Marco Matias, etc).

Pensei que seria momento de aproveitar a dinâmica gerada nas eleições e a consequente aproximação entre a Direção do Clube e os sócios para diminuir a opacidade relativamente aos sócios, mas que afinal ainda persiste na atual gestão do nosso clube. Para além da sua sistémica subsidiodependência, continuamos a saber pouco sobre a real situação financeira do clube e perspetivas de sustentabilidade.

Para a próxima época, entendo que a Direção tem de assumir de forma inequívoca que o do Clube Desportivo Nacional é na 1.ª Liga. Para isso tem de ser consequente e constituir uma equipa forte, competitiva e motivada para alcançar esse objetivo. Sem desculpas. A sobrevivência com dignidade do nosso clube e o respeito pelos nossos sócios e adeptos assim o exige.

Não Há Gente Como A Gente… Viva o Clube Desportivo Nacional.