Intervenção através de programas

Pelas suas potencialidades, a intervenção através de programas tem ganho popularidade e é frequente. As intervenções nestes formatos permitem a otimização de recursos, a replicabilidade e a participação de um número elevado de pessoas. Num quadro de valorização de intervenções preventivas e de cariz universal, são ferramentas úteis na promoção de competências transferíveis e que permitem aos indivíduos lidarem melhor com os desafios da sua vida. No entanto, é importante termos em conta o que as mesmas significam, já que não podemos designar de programa de intervenção qualquer iniciativa mais organizada, e considerarmos as características que tornam as intervenções robustas e não apenas ações pontuais ou até atividades de ocupação de tempos livres.

Quando os recursos são escassos, a necessidade de os mesmos serem utilizados com eficácia e eficiência é cada vez mais premente, não só para evitarmos desperdício e ineficiências, mas sobretudo para que a comunidade seja servida com as melhores intervenções.

Seja de que setor estivermos a falar, a decisão de aplicação de um programa de intervenção envolve responder a diversas questões, em que se incluem a que necessidades está esse programa responder e, portanto, a quem se destina e que objetivos tem, bem como que formatos terá e que recursos requer. A sua seleção deve ocorrer com critérios estratégicos e não por motivos pontuais, sendo importante verificarmos se já existem intervenções com o mesmo objetivo e as evidências dos seus resultados.

Mas um aspeto determinante é a avaliação do programa - como poderemos saber se funcionou e em que grau funcionou. Para além de comparar o antes e o depois, é importante analisar a magnitude da mudança, de forma a avaliar se a mobilização dos recursos se justifica - digamos que podemos ter um programa de intervenção que foi eficaz e fez baixar a febre de 41 para 40 graus, mas na prática continuamos com febre… Além disso, uma coisa é recolher a opinião dos destinatários (se ficaram satisfeitos ou se o consideraram útil) e outra é avaliar verdadeiros resultados comparando grupos, com desenhos quasi- e experimentais.

É certo que a natureza das situações e dos contextos nem sempre permite nem pressupõe intervenções com a máxima robustez. Mas, a nosso ver, é essencial a consciência do que são intervenções robustas, sobretudo antes de qualquer replicação ou generalização à população. A necessidade de elementos que nos permitam concluir se um programa foi eficaz prende-se não só com a segurança de que as intervenções estão a produzir os efeitos pretendidos e na escala pretendida, como também numa perspetiva de prestação de contas e de comunicação de resultados e alocação eficiente de recursos.

Se alguém lhe dissesse para tomar um medicamento que não foi testado, mas que acha interessante, ou para fazer uma intervenção na sua casa que contraria os princípios da engenharia, mas que não custa nada experimentar, certamente que no mínimo não estaria confortável com ideia e provavelmente recusaria tal aventura. Ora, a ideia de uma prática em políticas públicas e em intervenções baseadas na evidência e que seguem os princípios de qualidade e procuram ter a máxima robustez aplica-se também a qualquer programa de intervenção ou de promoção de competências, incluindo na esfera psicossocial.