Estórias da nossa época 21/22 (Parte 1)

A escassas jornadas do final da presente época desportiva (2021/2022), com a posição classificativa do futebol profissional praticamente fechada o CDN garante a manutenção, mas não alcança a “prometida subida” à Primeira Liga.

Em face da imutabilidade matemática de tal situação, sinto-me desonerado do “voto de silêncio” a que me impus visando contribuir, de forma responsável, para que a Direção eleita tivesse toda a estabilidade necessária para implementar as suas promessas eleitorais. Pretendi assim, evitar que se confundisse crítica com desestabilização.

O meu discurso foi sempre no sentido de apoio a Direcção que foi eleita. O que manifestámos logo no dia das eleições imediatamente após o apuramento dos resultados. Na altura dirigi-me ao Eng.º Rui Alves, colocando à sua disposição e em prol do Clube Desportivo Nacional todo o trabalho realizado pela Lista B. Disponibilizei-me para tudo o que estivesse ao nosso alcance, pois considero que o projeto apresentado nas eleições constitui uma base de trabalho bem estruturada para o desenvolvimento e estruturação do nosso clube. Até ao dia de hoje não obtivemos qualquer manifestação de vontade da direção em aprofundar o assunto.

A época desportiva de 2021/2022, foi marcante na história do CD Nacional, porque nos seus 111 anos de vida teve as suas primeiras eleições com uma disputa a dois pela liderança, dando sinal de vitalidade, da grandeza e da glória que infelizmente tendem a ser ofuscadas pela gestão errática dos atuais dirigentes que apaticamente se vão perpetuando à frente dos destinos do clube. Eleições destinadas à escolha pelos sócios entre um projeto concreto definido com uma dada estratégia por mim apresentada e um conjunto de medidas avulsas e apelos a um passado que, como se constata, nada de positivo tem aportado para o presente. Aliás o passado foi o trunfo eleitoral arvorado pelo atual presidente da Direcção, relembrando com grande ênfase as duas últimas subidas e assim criando a ilusão de uma quase garantida terceira subida, o que infelizmente não veio a se concretizar.

Mas este final de campeonato, lamentável quer pela não subida e quer pela fraca qualidade do futebol exibido, começou a pré desenhar-se no início da temporada, em pleno período eleitoral. Com uma evidente má planificação da época, traduzida TRÊS treinadores e todos eles criticados na comunicação social por vice-presidentes, denotando uma clara falta de liderança no clube.

Errando na escolha dos “timoneiros”, a constituição do plantel não compensou essa falta de qualidade, tendo ficado largamente aquém das expectativas. Num campeonato desgastante e competitivo como é o da 2º liga, não havia banco para um final de temporada que se adivinhava muito disputado.

Claramente superando o “fenómeno Costinha” - cujo regresso ao clube é ainda hoje uma perplexidade para muitos sócios - foi com o mister Rui Borges que estivemos nas zonas de subida. Contudo, a sua gestão também já indiciava alguma instabilidade e notava-se isso ao colocar por diversas vezes jogadores em aquecimento para fazer substituições a partir dos 80 minutos que é uma péssima gestão de jogadores profissionais, dando uma machadada na sua autoestima e confiança, ainda acresce a circunstância de haver apenas um treino por dia, estamos a falar de treinos de pouco mais de duas horas. Assim como conseguimos melhorar rotinas, procedimentos e até a condição física? Seguramente não parece ser o melhor caminho.