Dimensão da ligação entre seres humanos e animais

Há várias ciências que se aplicam ao comportamento animal e que estão relacionadas com a interligação e inter-relação entre os seres humanos e os animais (não humanos). Destaca-se aqui a antrozoologia que incide no estudo das relações entre o ser humano e os demais animais através de uma análise descritiva e explicativa que procura responder como e porque é que essas ligações ocorrem. Há quem defina esta ciência como uma transdisciplinaridade científica e humanística, e é-o. Mesmo que o seu campo de conhecimento ainda esteja aquém do que se desejaria, é fundamental que os profissionais envolvidos nesta matéria (e não só) se debrucem sobre a etologia e a psicologia, tanto de animais como de seres humanos, por forma a melhorar as relações ser-humano animal e daí advir benefícios para ambas as espécies, podendo ser aplicadas nas Terapias Assistidas por Animais (TAA) a vários quadrantes etários e sociais- o que já se comprovou largamente como sendo um complemento terapêutico eficaz, e até mais económico, num vasto leque de patologias físicas e mentais (há mesmo médicos e psicólogos europeus e americanos que já "prescrevem" animais a idosos e crianças, por exemplo).

Estas inter-relações, importantes para o convívio interespécie sem que se desenvolvam expectativas irreais que resultam em frustração para ambos, têm de ser balanceadas por forma a torná-las mais adequadas às características do animal e do seu companheiro humano. E porque é que estas ligações ocorrem? São várias as hipóteses que vão desde a biofilia que explica a ligação emocional que os seres humanos têm com outros organismos vivos e com a natureza; mas também a de suporte social e a necessidade intrínseca de sociabilização das espécies. Aliás são estas, entre mais, teorias que são capazes de melhor explicar como é que se iniciou o processo de domesticação dos animais. Na base da sociabilização, por exemplo, está a possibilidade de os animais melhor assegurarem comida e proteção humana; e no caso particular dos seres humanos permite-lhes a expansão da sua natureza parental para além da sua espécie (o que não é exclusivo dos seres humanos) muito devido às características juvenis (neofilia) dos animais que lhes facilitam a adoção pelo Homem.

Há quem defina mesmo a relação ser humano-cão como o arquétipo das relações astrozoológicas, até porque já convivem há mais de 120 -150 mil anos tendo coevoluído juntos, numa relação mutualista- havendo, inclusive, quem afirme que o Homo sapiens prevaleceu (enquanto o Neandertal se extinguiu) devido à sua parceria com os cães, o que denota a este tipo de relação um grande significado evolutivo.

Estabeleceram-se, assim, vínculos entre as espécies, ou seja, conexões afectivas entre ambas, o que se pode reverter numa experiência positiva para todos os intervenientes. No caso dos animais, podem tornar-se animais mais seguros e menos ansiosos e stressados, o que é fundamental para os capitalizar nas já mencionadas TAA. Ou seja, as características de apego/vinculação são importantes e devem ser usadas neste tipo de abordagem terapêutica. Os seres humanos podem ser vistos como uma espécie de refúgio seguro, funcionando como amortecedores de stress para o animal (e vice-versa) o que também concorre para um maior sucesso das terapias comportamentais.