Mais 10 anos a falar do mesmo?

A problemática da inoperacionalidade do Aeroporto da Madeira voltou esta semana à primeira linha das preocupações dos madeirenses, não porque António Costa tenha sido um dos passageiros afetados – na verdade, pouco ou nada sofreu com isso –, mas porque as consequências dos voos cancelados ou alterados atingem valores incomportáveis, o que por si só deveria inibir-nos de continuar de braços cruzados. Que é, como se sabe, a única solução implementada até hoje: cruzar os braços e esperar que o vento se acalme.

Nem de propósito, a meio da última tempestade no nosso aeroporto, o JM publicou e explicou o estudo efetuado por quatro profissionais da Universidade da Madeira, através do seu Observatório de Turismo. A compilação dos dados feita por Luiz Pinto Machado, António Almeida, Élvio Camacho e Susana Teles fundamenta e aprofunda os 1,4 milhões de euros que custa à Madeira cada um dos dias de inoperacionalidade do seu aeroporto.

O valor apurado pode surpreender, mas ninguém poderá ficar surpreendido pelo acumular de consequências negativas – nalguns casos fatais e irreversíveis – que resultam deste cenário natural, repetitivo e incontornável até certa medida.

Ninguém pode mudar as condições atmosféricas. Tal como ninguém de bom senso poderá sugerir isso. Mas é possível prepararmo-nos para essas adversidades, ter alternativas funcionais, atuar em antecipação, ser criativos na forma de atenuar as consequências do tempo adverso.

Isso só será possível se nos pusermos a ‘adivinhar’ o tempo que se fará sentir num determinado período. Como essa adivinhação não é fiável nem recomendável, é bom que se invista em tecnologia que faça esse trabalho com a precisão possível. Esses meios existem, têm custos que estão quantificados.

Na verdade, só falta que um iluminado de um governo qualquer – daqui da Madeira, do governo de Lisboa, ou dos dois, se falarem a mesma linguagem e se estiverem imbuídos da mesma missão de servir – decida o que falta decidir. Porque as contas já estão feitas, facilmente se chegará à conclusão que os custos a assumir deverão ser o equivalente a quatro ou cinco dias de inoperacionalidade do Aeroporto da Madeira.

Caso não saibam, os nossos impostos são para estas necessidades e não apenas para pagar devaneios de eleições antecipadas, deputados às catadupas nos parlamentos, entre tantas outras ‘gorduras’ que se podem queimar.

Na posse de previsões fiáveis e mais precisas, seria possível dar largas à criatividade na arte de antecipar, precaver e apresentar alternativas. Se um passageiro estiver em casa, preparando-se para dirigir-se a um aeroporto que o ‘enviará’ à nossa maravilhosa ilha, e se for surpreendido com uma SMS no seu telemóvel, avisando-o que o seu voo sofreu uma alteração, e que mediante essa alteração pode optar por três ou quatro alternativas, entre chegar mais tarde ao seu destino ou reprogramar o seu voo para outro dia, tudo isso será compreendido sem deixar marcas fatais para o destino Madeira. Se tudo isso acontecer quando o passageiro ainda está em casa, sem que tenha de passar horas sem nada saber ou a fazer voos de ida e volta sem sair do avião, qualquer alteração será muito melhor encarada e compreendida.

Parece simples, não parece?

Pois, mas o mais certo é que fiquemos mais 10 anos a falar do mesmo.