De Costa(s) voltadas para a Madeira

Por vezes é difícil aterrar na Madeira. O Aeroporto Internacional da Madeira é já conhecido pelas questões de operacionalidade devido aos ventos fortes. Curiosamente, quem podia ter resolvido esta questão, entre tantas outras, chegou na passada quinta-feira à nossa Região, num voo que aterrou com cerca de meia hora de atraso, depois de “andar às voltas no ar” e de ter falhado uma primeira aproximação à pista para aterragem.

Mas o Secretário-Geral do PS poderia ter aterrado a tempo e horas se, enquanto  primeiro-ministro, tomasse a decisão de adquirir os equipamentos auxiliares de voo que visam precisamente garantir todas as condições de operacionalidade do nosso Aeroporto.

Mesmo sem cumprir essa sua obrigação, o Secretário-Geral do PS lá foi recebido, novamente no concelho de Machico, pelos socialistas madeirenses, para, esperávamos nós, mais umas promessas que iria resolver os problemas dos madeirenses. Foi assim no passado com a regulamentação do subsídio de mobilidade aérea, com a ligação marítima entre a Madeira e o continente, com a garantia de pagamento de 50% do novo Hospital, com a prorrogação dos benefícios da Zona Franca da Madeira, apenas para citar alguns exemplos.

Até houve quem pensasse que o Secretário-Geral do PS viesse, novamente, dar os saltos enérgicos que caraterizaram a sua última visita eleitoral à Machico. No entanto, ficamos todos defraudados. Nem saltos, nem promessas vãs e ocas de quem nunca nada fez pela Região, nem tão pouco uma palavra sobre os dossiers importantes para a Madeira.

António Costa conseguiu uma proeza de facto assinalável. Conseguiu visitar a Madeira em campanha eleitoral e passar um discurso inteiro sem falar das questões que temos pendentes com o Governo da República. Ate parece que não foi o Primeiro-Ministro deste País nos últimos 6 anos. Vá lá, aqui entre nós, temos que admitir que não se podia esperar que viesse novamente prometer um ferry para ligar o Funchal a Lisboa ou Portimão.

Ou que jurasse a pés juntos que o Estado Português vai assegurar 50% do pagamento do Novo Hospital (isto se descontados o valor patrimonial do Hospital Dr. Nélio Mendonça e do Hospital dos Marmeleiros, o que já não perfaz assim lá muito bem os 50%).

Também não seria de esperar que garantisse que seria desta que os madeirenses pagassem unicamente os 86 euros, ou 65 no caso dos estudantes deslocados, em vez de adiantar centenas de euros, para viajar para território continental, até porque foi este mesmo António Costa que suspendeu o Subsídio de Mobilidade Aérea já depois de estarem marcadas as eleições legislativas do próximo dia 30 de janeiro.

Porventura poderia ter anunciado, com pompa e circunstância, que o Governo da República iria finalmente pagar a dívida dos subsistemas de saúde das forças de segurança, que já ultrapassou os 20 milhões de euros, sendo esse valor, competência do Estado, assumido na íntegra pelo Governo Regional.

Poderia ter prometido tudo isto, e muito mais, que inclusivamente prometeu no passado. Mas vendo bem, estaria novamente a prometer algo que não iria cumprir. Há muito que este Secretário-Geral do PS está de costas voltadas para a Madeira e para os madeirenses. Ninguém se espanta, portanto, com esta proeza de não mencionar um único assunto que esteja pendente com o Governo da República. Também já ninguém se espanta com os socialistas madeirenses que sempre que António Costa vem a Madeira, se ofuscam perante os caprichos do seu líder e secundarizam os interesses do nosso povo.

É fácil de compreender, por tudo o que foi descrito, que no dia 30 de janeiro, a única escolha possível é votar Madeira Primeiro, é votar na Coligação PSD/CDS.