“Ano novo, vida nova!”

“Ano novo, vida nova!” Será? Ou esta é apenas uma expressão que se foi tornando banal, ao longo dos tempos?

Acho que é uma expressão que merece reflexão, da parte de todos nós! Quantas vezes, nos propusemos, ou ainda nos propomos, a mudanças no início do novo ano? E quantas vezes conseguimos, efetivamente, cumprir ou alcançar alguma delas?

A realidade é que, na maioria das vezes, é fogo de vista! Criamos uma lista de desejos e parâmetros que queremos melhorar, e essa lista é praticamente igual todos os anos! Ficamos à espera de um milagre na nossa procrastinação. E no final do ano seguinte, lá nos sentimos culpados porque realizamos pouco ou nada!

Um dos desejos, mais concorridos, para o novo ano, é sem dúvida a perda de peso e o cuidado com a saúde! Começamos, no início do ano, num plano alimentar, por vezes, demasiado restrito, com toda a força e determinação, com esperança que esse seja o ano das mudanças corporais que tanto almejamos.

Propomo-nos a comer só alface com ovo ou frango, iogurtes de proteína e gelatinas diet, pensando que temos a fórmula para a felicidade.

Das três, uma: uma percentagem muito mínima até consegue perder peso e mantê-lo; grande parte consegue perder peso, mas ao atingir o peso desejado, volta aos hábitos do ano passado e à estaca zero; e, uma percentagem muito grande, sente-se frustrada, fica emocionalmente instável e acaba por comer muito mais do que antes ou desiste e descarta o seu desejo, novamente, para o ano seguinte!

E é nesta última hipótese que me quero focar! Muitas vezes, quando não conseguimos, à primeira, atingir um determinado objetivo, temos por hábito, simplesmente, desistir ou deixar para trás. É o perdido por cem, perdido por mil!

O ser humano desiste facilmente, aliás, até eu e qualquer um de nós!
Não nos podemos esquecer, que somos um ser complexo, com uma definida hereditariedade genética, com necessidades básicas, fisiológicas, emocionais, psicológicas, com determinadas crenças e inseridos num certo contexto social, económico, religioso, e ainda sujeitos a um passado, a uma história e interferência dos media e internet! Ou seja, somos todos nós, seres vivos, inteligentes e acima de tudo somos seres funcionais!

Por isso, para definirmos objetivos de mudança, devemo-nos respeitar como tal e sabermos que estratégia individualizada e específica para nós, devemos adotar para atingir os nossos fins.

E tudo isto, sem grandes comparações, pois cada um é como é! Ou seja, a receita da vizinha pode não ser melhor que a minha! A dieta da vizinha pode não resultar comigo e vice-versa! O modo de viver da vizinha pode não ser o que me deixa feliz!

Há determinadas pessoas para as quais a fórmula mágica é trabalhar dia e noite. Só assim terão o fruto do sucesso profissional. Mas para outras, isso não é válido, gera ansiedade, e incapacidade de trabalho! Precisam de descanso e atividades lúdicas para recuperarem o folego para um novo dia! E são igualmente bem-sucedidas! Cada um é como é! Só temos de descobrir o que funciona connosco e, mais uma vez, sem comparações!

E voltando à nutrição, o vosso plano, deve ser sempre adequado aquilo que vos deixa felizes. Claro que temos de ter a consciência de uma mudança positiva e que não é só álcool, amendoins, queijo, vinho e “rock&rol”! O ideal é manterem uma alimentação equilibrada, que não gere stress e ansiedade. Mesmo que a perda de peso seja mais lenta, ou que a mudança seja mais lenta, ela será sustentável e irá integrar-se na vossa realidade e no ser funcional que são!

Que tenhamos a capacidade de nos conhecermos a nós próprios, o suficiente, para sermos felizes! Sem comparações, que trabalhemos, sem comodismo, da forma que nos ajuda mais para aquilo que realmente almejamos! Definam estratégias de acordo com o vosso Ser!

E melhor ainda será se não definirmos objetivos anuais, mas sim diários! A passagem do ano é somente, a passagem de mais um dia! Que tal viver no presente e dizer: “Hoje, é que é!”. Sejam felizes!