Covid? Quanto mais sabes pior ficas

Andamos por estes dias assoberbados por ondas de ‘informação covidiana’. É o amigo que está positivo, o familiar que contraiu o ‘bicho’ sem saber como nem porquê. O filho deste ou daquele que já foi reinfectado com ou sem culpa no cartório… Bom, é a cusquice virulenta que anda de boca em boca de forma mais célere do que a própria pandemia. O que não é fácil face ao volume de casos por estes dias.

Mas será verdadeiramente importante o cidadão perceber onde, como e porquê que contraiu o vírus? Não é por isso que andamos a testar semanalmente e assim continuaremos por tempo indeterminado? Para quebrar supostas cadeias de transmissão? Devia ser… Pelo menos é o que dizem os entendidos.

Quem percebe menos da ciência da coisa, julgará que essa fase já era atendendo a que andamos perto dos 2.000 casos diários e não há investigação epidemiológica capaz de cercar a doença. Aliás, se nem conseguimos responder a todas as chamadas dos positivos, mais vale não alimentar utopias…

Na verdade, mais do que contabilizar casos e acrescentar dias de isolamento profilático que até dão jeito a alguns, importaria valorizar o facto de a esmagadora maioria das pessoas que contraem o vírus estarem assintomáticas. E mesmo as que apresentam sintomas, passam melhor a quarentena do que se a contas com uma gripe. Mas não encaramos o vírus desta forma também por causa das palavras utilizadas na abordagem ao desconhecido…

A insistência num tal ‘combate’ contra um ‘inimigo invisível’, que fechou tudo e todos, acabou por provocar ondas de choque que ainda hoje contaminam as mentes de muito boa gente. Aliás, hoje, muitos estão à espera que a Madeira feche. E muitos outros andam chateados com quem tem o poder de fechar tudo e teima em manter a economia em funcionamento baseando-se na menor gravidade das infeções. Realidade factual.

Mas querem fechar, digam o que disserem! Até porque são cada vez menos os que acreditam em cientistas, porque há especialistas para todos os gostos, tornando-se difícil perceber o que se deve ou não fazer em prol da saúde coletiva quando percebemos que as regras vão variando periodicamente.

O que é válido num dia, não vale no outro. Até já se pensam em exceções para a malta positiva ir votar quando a ‘prescrição’ médica indica o confinamento do infetado. E pensar que há bem pouco tempo era criminoso colocar a cabeça de fora da janela!

São por estas e por outras que se amontoam as dúvidas da população, alicerçadas também na ausência de explicação para situações que mereceriam uma abordagem clara e tranquilizadora. Por que razão ‘desapareceu’ a vacina da AstraZeneca administrada a milhares de madeirenses, por exemplo?

Sem querer entrar em teorias conspiratórias próprias de quem tem demasiado tempo para refletir, dois anos depois do início da pandemia, temos vacinas e testes em catadupa para apresentar à população, que muito jeito dão ao ‘mercado da saúde’. O mesmo ‘mercado’ que está encarregue de encontrar uma fórmula miraculosa para bloquear a transmissão do vírus. Mas se não erradicamos outras doenças, não valeria a pena prepararmo-nos para viver uma nova realidade, sem tabus ou dramas? Deixar de ‘prender’ negativos em casa só por precaução?

O insensato é parar de viver à espera do pior.