Quando os atos confirmam o que as palavras escondem

No último artigo, denunciei o facto do Partido Socialista ter perdido a vergonha ao assumir com atos aquilo que tem medo de dizer – que são dependentes das ordens do partido a nível nacional e que não há volta a dar nesta subserviência quase doentia.

Colocaram o enviado de Lisboa, Miguel Iglésias, em segundo lugar na lista para a Assembleia da República e Carlos Pereira, o cabeça de lista, anda a toque de caixa das “ordens” do senhor que realmente manda.

Percebemos que fingem não ser esta a realidade, mas na semana passada deram uma vez mais mostra dos seus medos e da sua verdadeira natureza de dependentes de António Costa.

Depois de toda a trapalhada que foi o processo de alteração do Subsídio de Mobilidade, em que sempre defendemos o pagamento apenas do valor devido por cada Madeirense ou Açoreano, acabando com os vergonhosos adiantamentos que somos obrigados a fazer, é conhecido que em julho de 2019 se conseguiu alterar a lei.

Contra a vontade dos socialistas, lá tiveram de votar também a favor (se votassem contra a lei seria aprovada na mesma, pela maioria conseguida, o que levou os socialistas a fingirem estar de acordo).

Porquê? Porque teríamos eleições em outubro de 2019!

Mas o resultado prático foi zero, como todos sabemos.

O Governo das esquerdas não regulamentou nada. Chegamos a dezembro de 2021.

Pior. Em dezembro de 2021 o Governo de António Costa, já depois de dissolvida a Assembleia da República e marcadas eleições para 30 de janeiro próximo, aprova um decreto lei que revoga a lei do subsídio de mobilidade no modelo defendido pelos Madeirenses, mostrando assim como sempre esteve contra a regulamentação que lhe exigimos.

Ao fazer isto, António Costa assume sem qualquer hesitação que nunca teve intenção de cumprir a nossa justa reivindicação.

Que se está marimbando para o facto dos insulares pagarem adiantamentos – por vezes de muitas centenas de euros!

Esta é a realidade dos factos. A acontecer nas nossas barbas, com a conivência dos socialistas locais.

No Parlamento Madeirense foi de imediato apresentada uma proposta de lei à Assembleia da República para reverter esta vergonhosa decisão do Governo do PS.

A iniciativa do PSD /Madeira foi apresentada a 3 de janeiro deste ano e votada dia 5, na semana passada.

Quais são os factos? O Deputado Miguel Iglésias, agora candidato na lista à Assembleia da República, saiu da sala para não votar uma posição que defende o interesse da Madeira e dos Madeirenses mas que é contrária à vontade de quem manda: António Costa!

Já sei que vai alegar que foi à casa de banho, fazer campanha eleitoral, tomar um café ou dar orientações a Carlos Pereira.

Os factos são indesmentíveis: na hora de votar uma matéria com esta importância ele não quis estar lá!

Na hora de tomar partido ele escolheu não apoiar uma posição política do nosso Parlamento, que tanto importa aos cidadãos que aqui vivem!

Em resumo, Miguel Iglésias confirma ao que vem. Quer que os Madeirenses votem nele para estar ao lado do Partido Socialista e não ao lado dos Madeirenses.

É isto o que a Madeira quer em Lisboa?