A droga lícita

No fim de 2012 a Madeira conseguiu aprovar um dispositivo legal que visava combater a existência das chamadas “smartshops”, nas quais uns “empreendedores” vendiam substâncias alternativas de porta aberta.

Haviam morrido quatro jovens após consumir essas drogas alternativas, legais e impunemente colocadas ao dispor a baixo preço. Tínhamos assistido a 190 internamentos na Casa de Saúde de São João de Deus, alguns deles com danos irreversíveis, com perturbações psiquiátricas e com o aparecimento de esquizofrenias e outras psicoses.

Era um esforço do Parlamento da Madeira para acorrer a uma situação para a qual o país não ligava nenhuma e sobre a qual não mostrava vontade de desenvolver qualquer ação.

Entretanto quem produz estas substâncias vai procurando contornar a lei. Em 2019, o Observatório Europeu da Droga e das Toxicodependências monitorizava 790 novas substâncias abrangendo diversas drogas.

Em março deste ano a Assembleia Legislativa da Madeira apresentou uma proposta de lei à Assembleia da República, sobre a inclusão das novas substâncias psicoativas na lei de combate à droga – uma forma de procurar fazer com que seja mais rápida a publicação e atualização das listas onde se identificam estas substâncias psicoativas.

Sobre este tema, infelizmente vemos muito pouco empenho por parte de quem tem a competência legislativa – a Assembleia da República.

Não deixa de ser compreensível toda a falta de interesse de certos partidos em Portugal, como o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda, em tomarem alguma iniciativa que se veja para combater esta verdadeira tragédia. A de ter droga vendida a preços baixos, que rasgam vidas e as deitam, muitas das vezes, para o fundo de um poço sem retorno.

O Partido Socialista é um dos que se vangloria de ter promovido a descriminalização da posse e do consumo de drogas em Portugal.

Com isso as esquerdas ficaram todas contentinhas porque finalmente a nação seria um espaço de modernidade. Para eles!

O ex-ministro socialista, Pedro Silva Pereira escrevia num seu texto de elogio à “droga fácil portuguesa” o seguinte: “a descriminalização da droga cumpriu, pois, os seus desígnios humanistas: foi eficaz na luta contra a toxicodependência e fez de Portugal uma sociedade mais justa.”

É graças a esta lei que uma pessoa pode passear-se com as “doses para consumo próprio”, sem ser importunada. Se for apanhado a consumir em público leva uma multa, coitado.

As esquerdas em Portugal ficaram todas felizes porque acabaram com o crime de ser apanhado com algumas doses de droga na rua.

Assim, um traficante que circule com poucas doses na rua pode sempre argumentar que são para o seu consumo.

Ele não trafica. É sim um cidadão protegido pelo Partido Socialista e demais esquerdas, para circular com drogas na rua.

Assim as autoridades policiais são impedidas de o deter. Os protegidos do socialismo fazem troça dos agentes e sabem que no máximo terão de responder a umas perguntinhas e depois mais nada poderá ser feito.

Logo estarão libertos para a sua tarefa de traficar, a coberto da legislação de Portugal.

Com isto, o que poderíamos esperar que fosse feito pelo governo das esquerdas para combater as drogas sintéticas?

Eu não esperava nada!