Os palheiros

São construções agora em desuso, mas que no passado notavam-se de forma bem evidente nas paisagens das nossas zonas rurais. Em Santana também era assim. Lá de vez em quando surgia um novo palheiro.

Muitos deles resistiram e ainda permanecem. Alguns ainda a funcionar para uso dos seus proprietários e utilizadores e outros em clara degradação na paisagem. Outros devido ao abandono vão definhando na paisagem.

Em Santana a grande maioria destes palheiros – para não dizer todos – eram cobertos a colmo. Era o material que existia com abundância que era usado para cobrir estas “arrecadações agrícolas”.

Os palheiros tinham dupla função: serviam para guardar algumas alfaias agrícolas, para armazenar mato, palha de trigo e milho para o inverno e ao mesmo tempo era ali que se cuidava e guardava o gado sobretudo a “vaquinha” que ajudava a sustentar a casa. Era o animal que quando dava leite significava grande parte do sustento duma família.

Em muitas situações estas construções também serviam de “dormitório”. Sobretudo quando as vacas que estavam prenhas e que estavam muito próximo de ter novas crias, os donos tinham de as acompanhar bem de perto. A solução era mesmo passar algumas noites no palheiro. Devo dizer que era tudo bem aconchegado. Utilizavam-se cobertas feitas de retalhos, que eram estendidas em cima do mato e que proporcionavam uma cama improvisada bem quente e muito confortável. A necessidade obrigava.

Os palheiros foram ao longo do tempo sendo construídos em lugares por vezes recônditos. Em sítios de difícil acesso. Construídos em parte com materiais recolhidos na própria zona, nomeadamente as estruturas de madeira.

A arquitectura destas construções, sempre muito igual e com os materiais usados, integravam-se bem, embelezavam a paisagem.
Nos dias de hoje já não se pode dizer o mesmo.

De facto à medida que o abandono das terras e o despovoamento foi acontecendo, os palheiros também foram desaparecendo. Alguns resistiram, mas a cobertura de colmo que os caracterizava foi desaparecendo dando lugar ao zinco, com todas as consequências em termos paisagísticos e ambientais.

Outros foram objeto de boas recuperações e foram transformados quase que em “casas de campo” ou em pequenas unidades de turismo rural. Seja como for este é um património que a Madeira deve preservar.