Agora é para comer!

Estamos a meados de novembro e começou, não oficialmente, mas digamos que informalmente a época natalícia!

Sou de novembro, mas não me lembro, em criança, de ver, nesta altura, tantos apetrechos nas lojas e tantos menus de natal! O natal era sim, “inaugurado”, em dezembro!

Ao longo dos anos, o mercado é que se foi alargando e se estendendo com a sua oferta natalícia! Tudo bem que temos de celebrar, mas, qualquer dia, no fim de setembro, já temos o pai natal a nos espreitar pela porta e deixamos o sapatinho pronto no início do verão!

Começo com esta introdução, pois não é só o dinheiro que nos sai do bolso mais cedo e as tradições que se vão perdendo! Começar os festejos mais cedo implica, para muitos, que está aberta a caça ao manjar. E, enquanto, antes, era só em dezembro que se ouvia “Dra, agora vou festejar o natal e comer uma sandes de carne vinho e alhos e beber uns licores!”, agora, desde o inicio de novembro que já se ouve: “Bem, vão começar os jantares de natal!” e a célebre frase: “Agora é para comer!”.

Sim: “Agora é para comer!”. E então? Já não comemos o ano inteiro?

Ainda me causa mais admiração, a loucura que se cria nas redes sociais acerca deste tema e os tópicos que vão surgindo:

“Agora é para comer! – 10 sobremesas de natal que não o vão engordar!”

“Agora é para comer! – coma com prazer com as receitas de natal que não engordam!”

“Agora é para comer! – ofereça bombons e bolos sem glúten aos seus entes queridos!”

É uma propaganda digital imensa que, apesar de até poder ser feita com boas intenções (ou, quem sabe, apenas para angariar clientes), falha redondamente, na minha opinião, e, atenção, repito, na minha opinião, no alvo principal que é a educação para a saúde e a modulação de um bom comportamento alimentar.

Acho que devemos comer com moderação e também comer o que mais gostamos, mas com peso e medida. Temos de ser saudáveis, mas também temos de ser felizes!

A grande questão é: Porque é que se faz uma imensa propaganda para ter de comer no Natal? Já não comemos o ano inteiro?

O Natal é suposto ser um lembrete, para que, todo ano, exista compreensão, empatia, altruísmo e amor ao próximo. Não deve ser, de todo, um hino ao materialismo e à gula!

Podemos comer sobremesas ou um bolo ou um bombom em qualquer altura do ano. Se tivermos uma alimentação saudável e equilibrada, não é comer uma sobremesa com açúcar ou um bolo com glúten, um dia, que vai fazer a diferença! É a desinformação e a compulsão que faz a diferença – comer uma caixa de bombons inteira porque é sem glúten e não engorda; comer bolos de batata doce, todos os dias, porque não engorda; e comer um peru inteiro recheado com legumes porque não engorda! E isto tudo, porque: “Agora é para comer!” e porque “É saudável e não engorda!”!

Todos os alimentos, inclusive os saudáveis, têm calorias: o açúcar de coco, a fruta, o óleo de coco, a aveia, os frutos secos, a pera abacate – em demasia, claro que engordam!

Tudo tem de ter um equilíbrio, por isso informem-se e sigam profissionais certificados antes de embarcarem num “Workshop de Natal – comer sem culpa!”.

Comam e comam todo o ano de forma saudável e permitam-se a um “doce” de vez em quando, assim não terão a necessidade de comer tudo de uma vez!

Nota: Quanto aos génios da propaganda, não se preocupem! A ansiedade para sair e viver o natal é tanta que, este ano, os vacinados vão para os restaurantes “encher a pança”! E os não vacinados, que vão ter de ficar em casa, não terão outro remédio se não pagar programas e takeaway para se entreterem e atufarem o pandulho!