Que não nos conformemos…!

No passado Domingo, dia 14 de novembro, celebrámos o Dia Mundial dos Pobres. E o Papa Francisco pediu que sejamos “construtores incansáveis de esperança …, pessoas que, imersas no ar pesado que todos respiram, respondam ao mal com o bem. Pessoas que agem …, trabalham pela justiça, elevem os pobres e devolvam-lhes a sua dignidade”.

Vivemos num mundo em que, no presente momento, 42 milhões de pessoas estão em risco iminente de morrer de fome, num mundo em que morrem 11 pessoas por minuto devido à desnutrição - segundo dados da “Oxfam” que é uma confederação internacional que procura soluções para o problema da pobreza, desigualdade e da injustiça. E isto acontece sob o olhar de cada um de nós…, as imagens vão entrando pelas nossas casas … e o que fazemos? Muito pouco!

O senhor Elon Musk, o CEO da Tesla, o homem mais rico do mundo, que tem uma fortuna avaliada em cerca de 335 mil milhões de dólares, referiu que estaria disposto a doar, ao “Programa Mundial de Alimentos (PMA)” das Nações Unidas, 6 mil milhões de dólares se se garantisse, de forma transparente, que valor auxiliaria a combater a fome mundial.

Bom, qualquer argumento é, sempre, um (“mau”) argumento para não se avançar, para não se responder ao mal com o bem!

Bem sabemos que a transparência é um princípio essencial e determinante para o desenvolvimento de uma sociedade, mas este nunca poderá ser um motivo para nada se fazer com o argumento, pobre de espírito, de que a falta daquele princípio (a transparência) impede a nossa atuação.

Não! Se pretendemos, efetivamente, agir e auxiliar, então, vamos trabalhar com o próximo na adoção de políticas (transparentes) que nos permitirão auxiliar quem está a morrer de fome, que nos permitirão adotar estratégias para acolher e trabalhar com os sem-abrigo, com a comunidade migrante que se encontra fragilizada e que apenas procura abraçar uma vida melhor.

Fechar fronteiras, construir muros, nunca poderá ser a solução… será, com certeza, a via mais simples para quem olha para o fragilizado com sobranceria, para quem é incapaz de se colocar no lugar do outro, daquele outro que tem fome e sede de justiça, daquele que chora por não ter o que comer!

Pessoas bem-intencionadas, sempre, existirão. A verdade é que este mundo precisa mais do que boas intenções. Necessitamos de pessoas que se comprometam, de políticos, de decisores, que não se limitem a reproduzir “razões” (caducas) para justificar a inação em áreas tão importantes como a Saúde, a Educação e a Justiça.

A riqueza é uma bênção se aliada a sérias políticas para combater a fome, a desigualdade, a injustiça.

Seremos todos tão mais ricos quando, inconformados, sairmos da nossa zona de conforto, almejando novos projetos, a abertura ao que é novo e que tem no outro o bem juridicamente protegido.

A vida “espera de nós a capacidade de desenhar complementaridades”, de trabalhar em equipa, percebendo as nossas limitações, comunicando com o outro, percebendo que é o “nós” que releva e não um “eu” …, este “eu” que, ilusoriamente, crê que apenas sabe fazer, que apenas sabe falar ou que sabe fazer acontecer!

Há tanto, ainda, por fazer, há tanto, ainda, por acabar…, não me conformo com aquele rosto de uma criança que não tem o que comer, com aquele sem-abrigo que vai abraçando a desgraça, com aquele senhor que crê saber tudo e que não tem a capacidade de escutar, de ler os sinais.

Sobre cada um de nós recai o “ónus” de “organizar a esperança, que se traduz, diariamente, em vida concreta nas relações humanas, no compromisso sociopolítico”!

Que não se olvide que apenas se perde o que não damos!