Sobre o Dia Mundial da Alimentação

“Our Actions are our Future” – As nossas Ações são o nosso Futuro… Foi este o mote lançado pela FAO (Food and Agriculture Organization) para comemorar este ano o Dia Mundial da Alimentação, que se celebrou no passado dia 16 de outubro.

Mas a que propósito surge este tema?

Surge no sentido de explicar que o futuro da nossa subsistência, necessidade básica que é a alimentação e nutrição, está, efetivamente, nas mãos de todos, mas mesmo de todos nós.

Sempre que comemos ou adquirimos comida participamos num sistema complexo de impacto económico, ambiental, educacional e de saúde!

É imperativo pensarmos de onde vem o que comemos, como foi cultivado/produzido, como foi adquirido antes de comercializar ao público, que impacto a produção e distribuição teve em termos ambientais e inclusivamente e futuramente na nossa saúde!

O dia mundial da alimentação não é, de todo, um dia para lembrar que estamos gordos ou magros, mas sim um dia em que a consciência coletiva deve de ir mais além, no que respeita tanto à alimentação sustentável para todos nós, como à produção sustentável para o planeta.

Todos temos o nosso lugar para garantir que a produção e alimentação saudável e acessível a todos, some pontos positivos a cada dia e ano que passam. Governantes, Povo, Agricultores, Empresários, Educadores, Médicos, Nutricionistas… todos temos voz ativa! Todos podemos mobilizar, aos poucos, uma mudança positiva!

Nestas últimas duas semanas, muitas foram as ações desenvolvidas, para celebrar este dia. E que bom que existiram estas iniciativas! Mas será, uma semana, o reflexo da realidade?

Nas escolas passamos uma semana a abordar a alimentação saudável, a falar sobre a importância da sopa, das frutas e legumes, e de como doces fazem mal aos dentes, para depois oferecerem às crianças bolos e iogurtes naturais açucarados ou de aroma, cheios de açúcar.

O esforço em educar, não passa por apenas mostrar uma receita saudável uma ou duas vezes ou falar num e outro evento, sobre nutrição. Passa por um esforço contínuo, de todos nós para mudar o que está mal.

Outro mote lançado este ano é que todos, inclusive as crianças, podemos ser heróis da alimentação! Mas esta aprendizagem não se faz num dia. Temos de ser heróis da alimentação todo o ano, começando pelos responsáveis pela alimentação nas escolas e pelas entidades governamentais.

É importante o reforço dos nutricionistas nas escolas – um nutricionista para 50 escolas não faz milagres! E um educador e professor não consegue, por si só, abordar e trabalhar esta questão, que faz parte das nossas necessidades básicas, todo o ano, tendo em conta o vasto currículo em diferentes áreas que terá de abordar.

A consciência tem de ir além de um dia ou uma semana de comemorações. Temos de investir na literacia alimentar e nutricional junto de agricultores e produtores, nas escolas, nos lares, na restauração, nos serviços de saúde e até nos supermercados. Devemos investir em apoios para a agricultura sustentável e biológica e devemos valorizar esta classe de trabalhadores. Custa perceber que os agricultores recebem uma miséria para, nas grandes superfícies comerciais se venderem alimentos a custo de ouro, alimentos estes que, muitas das vezes, por serem mais perecíveis geram desperdício.

Espero que possamos refletir, todos os dias, nas nossas escolhas e ações no que respeita à alimentação.

Não se esqueçam que, quanto melhor é a produção e educação, melhor é a oferta, melhores são as escolhas, melhor é a nossa nutrição e melhor e maior é nossa pegada ecológica!

Boas ações sempre…e não só em uma semana!