Novo ciclo, novas prioridades

Tal como no resto do País, a Madeira entrou num novo ciclo, condicionado pelo calendário político. Não deveria ser assim, mas não há volta a dar. A influência dos partidos e das suas legítimas aspirações e estratégias deveria ter um peso menos relevante, de modo a que as instituições e serviços públicos não fossem tão vulneráveis – como efetivamente são – ao entra e sai das tutelas políticas que se submetem a eleições regulares.

Enquanto não se aperfeiçoa o sistema, temos de viver com o que temos. E o que temos são estes ciclos entre eleições, de pouco mais de três anos, já que o sufrágio eleitoral seguinte acaba sempre por inutilizar quase um ano do mandato anterior, condicionando e paralisando tudo.

Neste caso, autarcas e munícipes devem aproveitar este tempo de alguma produtividade. Tempo de atuar sem calculismos políticos. Tempo de colocar os interesses das populações à frente das estratégias políticas. Tempo de trabalhar sem ser para a eleição seguinte.

Com as tomadas de posse foi dado o pontapé de saída para o exercício dos mandatos decididos pelo voto. Ouviram-se os discursos, as promessas e as intenções. E a partir da próxima segunda-feira, se é que já não aconteceu antes, é tempo de meter mãos à obra: aos executivos pede-se que trabalhem e executem o que anunciaram na longa campanha eleitoral; às oposições que cumpram o seu papel fiscalizador e de exigência. Com respeito e boa fé, é possível todos cumprirem as missões de que foram incumbidos.

Aos que não foram eleitos nem para uma coisa nem para outra, não resistimos a mais uma saudável provocação, depois de muito realisticamente termos classificado de “ruído propagandístico” os frágeis argumentos com que alguns candidatos intermitentes se apresentam nas vésperas de cada eleição, esperando e exigindo que sejam os órgãos de informação a mostrar as suas caras aos eleitores, arrogando-se mesmo ao direito de serem promovidos por algo que não têm; ou que pelo menos não demonstraram. Em suma, acham que deve ser a Comunicação Social a fazer campanha por eles. Apenas porque sim.

Portanto, aos que já decidiram hibernar entre 26 de setembro último e as vésperas do próximo ato eleitoral, convém que comecem a trabalhar pelos seus objetivos, se é que acreditam neles. Esse trabalho não deve resumir-se a escrever três ou quatro linhas sobre um tema qualquer, lá de vez em quando, começando dessa forma e terminando com o envio de um ‘comunicado’ para a lista de endereços eletrónicos dos órgãos de informação. Se trabalharem e participarem ativamente, neste caso junto dos munícipes, de certeza que na próxima campanha eleitoral já serão encarados e valorizados de outra forma. Sem ruído.