Produtividade

Agora que regressa a discussão anual em torno do Orçamento de Estado para 2022 e aquelas que são as demandas por aumentos salariais, volta a colocar-se a importância de poder aferir os méritos de potenciais aumentos, para além da sua sustentabilidade económica em moldes de acomodação financeira pelas empresas, também o seu equilíbrio numa perspetiva de produtividade, que ultrapasse uma visão estritamente económica.

Naquilo que agora, aqui, nos interessa apreciar, o dado de referência para avaliar o impacto das qualificações na sustentabilidade das empresas é a fórmula apurada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, nos relatórios que medem as qualificações dos países. A OCDE entende que, por cada ano de escolaridade a mais na média da população, o Produto Interno Bruto (PIB) dos países sobe 0,5%. É, portanto, também, por este prisma interessante considerar a relevância da educação e da qualificação para o desenvolvimento económico dos países. Não deixa aliás de ser sintomático, que os países com mais elevados índices de desenvolvimento são aqueles onde as qualificações são maiores.  Já agora, a título de nota, se Portugal tivesse uma escolaridade média idêntica à europeia poderia ter um PIB bem superior em termos percentuais?

Hoje, torna-se por demais evidente, portanto, que uma das dimensões relevantes diz respeito à estrutura social da Educação no seu sentido mais genuíno. A esta poderemos, então, adicionar-lhe uma visão mais pragmática, quiçá funcionalista, da qualificação. Se associarmos ainda -no denominado contexto de uma teoria do capital humano- o papel da Escola, encontramos aqui (para esta), o relevante desempenho social de qualificação das pessoas. Realidade que, sobremaneira, se destaca quando a qualificação dos indivíduos na sociedade passou a ganhar importância, na medida em que a qualificação escolar está adequada à divisão técnica do trabalho, conferindo-lhe uma relevante ação legitimadora na estrutura social promovendo-a na atualidade -mais do que nunca-, como uma instituição social de relevo.

Refletindo, assim, sobre os indicadores em Portugal não deixa de ser relevante que muito do caminho está a ser percorrido. É verdade.

O tempo, no entanto, urge, e para não perder de vista os outros países (que não estagnam) devemos andar muito mais rápido e teremos de redobrar o esforço para chegar a níveis europeus relativamente estáveis, sabendo nós que a Educação é o que faz a diferença. Mesmo, no que diz respeito à dinâmica económica das sociedades. 

Os indicadores são relevantes, já o vimos, assim, pelo seu impacto no desempenho da economia em Portugal. Além do mais, correspondem a compromissos que os países europeus estabeleceram para 2030, e Portugal subscreveu, o que nos coloca sob permanente competição. Traduzem, na sua essência, a estratégia da UE para o crescimento e o emprego para a década em curso. Colocam a ênfase no crescimento inteligente, sustentável e inclusivo, como forma de superar as deficiências estruturais da economia europeia, melhorar a sua competitividade e produtividade e assegurar uma economia social de mercado sustentável. Tudo, aspetos cruciais, mais ainda, após os recentes anos de crise -agora potenciada pelo pós-Covid-19, que assolaram todos os países europeus e que colocam em grande medida os agentes económicos a tentar superar-se.

 

Eduardo Alves escreve
à segunda-feira, de 4 em 4 semanas