Grupos nem sempre são equipas!

Defendo o trabalho em EQUIPA Multidisciplinar (E.M.). Ser um grupo multidisciplinar (G.M.) não implica trabalhar em equipa.

Iniciei a minha experiência profissional em trabalho de E.M. e desde aí tenho tido a sorte, ou grande inteligência de quem gere os serviços, de continuar a trabalhar em equipa.

Na rua e na vida oiço muitas pessoas a achar que trabalham em E.M. mas afinal têm é um G.M.. Equipa é outra coisa!

O mais importante de uma equipa é saber para quem se dirige o trabalho. É sempre a partir das necessidades/boa avaliação destas pessoas que alguns G.M. se transformam em E.M..

E.M. são o melhor modo de trabalhar em qualquer área. Na saúde os estudos dizem que quando existem E.M. os tempos de internamento/tratamento dos pacientes são reduzidos. Na política poderá trazer mais votos.

A grande bandeira das E.M. é o modo como os elementos da equipa se relacionam e trabalham entre si. Somam saberes e formações diferentes para um objetivo comum. Este será provavelmente o melhor modo de trabalhar e responder às necessidades da população alvo.

A base/génese deste trabalho foca-se nas capacidades individuais dos profissionais e seus líderes.

Exige respeito mútuo, onde ninguém é mais importante que ninguém, todos valem o mesmo, independentemente da sua formação de base. Conseguimos valer o mesmo com especificidade e diferença de papéis? Este facto é provavelmente o grande obstáculo ao trabalho em equipa e a principal razão porque há mais G.M. do que E.M..

Na saúde e na política vi muito isto, o “achar-se” mais que o outro, alguém que acha que é mais importante ou que vale mais no grupo, acabando assim por não ouvir os outros e por decidir sozinho, impedindo/boicotando o trabalho em E.M., podendo surgir conflitos ou pior, más avaliações e decisões com custos para todos. Em E.M. temos de combater os nossos egos e os dos outros. É um partir de pedra constante, confesso que gosto do som, porque o resultado é sempre melhorar a qualidade do nosso trabalho. O saber de um colega é sempre bem-vindo e na discussão/articulação de equipa, a opinião de todos levará à decisão final. Há diálogo e articulação constante.

Especialidades diferentes enriquecem, experiências de vida também. Sempre que vem um colega de profissão ao meu serviço estagiar, tentamos sempre que observe o trabalho de outros, em alguns colegas observei a dúvida no olhar, mas afinal iam aprender com outros profissionais?

Sim, vão perceber a riqueza da colaboração de outro olhar/avaliação, dado por alguém com uma formação diferente da nossa.

Antecipar a consulta com psicóloga/o porque alguém esteve com uma enfermeira/o que avaliou o seu grande sofrimento ou até o encaminhamento antecipado para o médico, pela/o psicóloga/o, porque a “recaída” está “à janela” perante um luto recente. A colaboração do assistente social para a manutenção de um tratamento medicamentoso porque alguém acabou de ficar desempregado. Trabalhando em E.M. evitou-se um internamento, uma recaída ou desistência de um tratamento (custos emocionais e financeiros).

E.M. aumenta o bem-estar do profissional com a interajuda entre colegas, estamos acompanhados, e o mais importante vai garantir uma resposta mais rápida e adequada às pessoas que procuram a E.M.. As pessoas sentem-se vistas/cuidadas/representadas em E.M. e o objetivo é conseguido.

Trabalhar em E.M. ou G.M. vai depender, por um lado do nosso esforço e pelo outro do tipo de líderes que nos rodeiam. Os melhores líderes para mim, e pelo bem de todos, escolhem sempre o trabalho em EQUIPA Multidisciplinar.