Pela identidade do CDS

Há 45 anos, a Madeira foi a eleições regionais. As primeiras que se destinaram a escolher governantes exclusivamente para este Arquipélago. Os partidos, ainda numa fase embrionária, empenharam-se em oferecer aos eleitores os seus candidatos e os seus programas.

O CDS não fugiu à regra e arrojadamente apresentou um programa eleitoral onde falava da necessidade de uma Zona França e de uma ampla autonomia politica. Muitas das ideias expressas nesse documento foram aproveitadas e concretizadas nos anos vindouros.

Os partidos só têm razão de ser se forem projetos para o devir coletivo. Uma ideia de sociedade para os anos vindouros que traga confiança à população e aponte crescentes níveis de satisfação. É nisso que está a sua utilidade.

Pese embora o aparecimento nos últimos anos de “movimentos à volta de causa concretas” que rapidamente se tornaram organizações partidárias, populistas e efémeras, os partidos devem continuar a representar ideários e referências ético-políticas determinadas. Somos naturalmente envolvidos pela admiração ao caracter dos líderes e pela qualidade técnica e humana de dirigentes, mas é essencial às instituições politicas a sua identidade, garantia da sua perpetuidade e alicerce da sua coerência.

A identidade do CDS está alicerçada em valores éticos e políticos que têm uma matriz doutrinária e uma hierarquia de valores que importa não esquecer. Essa identidade não morreu nem está ultrapassada. Ela reside no quotidiano da comunidade e no dia-a-dia de muitas pessoas. E é cada vez mais apelativa para se perspetivar uma sociedade justa e evolutiva.

Quase meio século depois, é útil que o CDS volte a concretizar a sua identidade nesta Região para os próximos anos.

Diversos desafios se colocam de forma premente a que se deve associar importantes documentos orientadores:

- as evoluções demográficas, as quebras de natalidade, o envelhecimento da população e os fenómenos migratórios, que têm merecido crescentes reflexões no magistério da Igreja;

- a sustentabilidade ambiental em ilhas ecologicamente ricas mas ameaçadas, onde a encíclica Laudato si apela-nos às políticas de responsabilidade;

- o desenvolvimento económico numa sociedade cada vez mais aberta, onde os ensinamentos da “economia de Francisco” são excelentes orientações;

- o desempenho politico com a valorização do serviço ao bem comum, o combate à corrupção e as crescentes exigências de transparência, são novas manifestações de um tema caro à doutrina social da igreja;

- as novas questões sociais que a pandemia sublinhou e que ultrapassam a mera questão dos recursos económicos e obrigam a politicas de proximidade e de sociabilidade exigentes.

Ao olhar atualizado sobre as novas e renovadas questões responde-se com instrumentos políticos inovadores. A questão autonómica nos 50 anos da sua comemoração precisa de ser revisitada de forma a melhor corresponder às necessidades hodiernas.

O CDS tem de estar à altura da época que vivemos. A sua identidade é desafiada. A sua missão na Região é novamente questionada.

Como há meio século, o CDS tem hoje um papel a cumprir.