"Responsabilidade plena vs responsabilidade digital! - 2

Uma maneira básica e essencial para levar em conta que qualquer comportamento, por menor que seja, tem consequências, é fazer uso do que é conhecido como “responsabilidade plena” - ser responsável não significa apenas assumir a responsabilidade pelos nossos atos, é compreender que a maturidade humana começa por nos tornar responsáveis por cada um dos nossos comportamentos, ações ou pensamentos, inclusive ao partilhá-lo com os outros na atual sociedade de informação “virtual” (redes sociais) deverá ser previamente sustentado num exercício de verdade, de escrutínio da informação, de conhecimento dos factos.

Se assim não o for, tendemos a ser meras marionetas ao serviço da “onda” da maledicência, da calúnia, da difamação, da inverdade.

Por norma, os nossos comportamentos enquanto sujeitos, quer na nossa vida pessoal e familiar, quer profissionalmente ou na sociedade, falam mais que as palavras, onde a responsabilidade e o exemplo social de cada qual é o reflexo da sua alma enquanto pessoa.

Howard Gardner, numa entrevista afirmou que: “uma pessoa má, malformada, nunca se torna um bom profissional, pode até ter bons conhecimentos técnicos”, ou seja, dificilmente um indivíduo sem “berço”, sem competências, sem caráter, consegue ser um bom agente social, alguém de referência profissional e, simultaneamente bom homem.

Alguém guiado exclusivamente pelo interesse próprio nunca alcançará a excelência, e essa é uma realidade que também se revela muitas vezes no “espelho” do tempo.

O desígnio deve ser a procura pelo equilíbrio entre o compromisso, ética e excelência para se tornar um bom pai de família, um bom profissional, um bom político.

Nunca o homem enquanto ser reconhecidamente social, teve ao seu dispor ferramentas para interagir e se relacionar com os outros como presentemente.

As variadíssimas formas de interação que o digital permitiu em tão curto espaço de tempo e que o permitirá cada vez mais, sendo intergeracional, é espectável que com a evolução tecnológica ela venha a ainda mais a ser parte integrante das nossas vidas, desempenhando um papel central no nosso “modus Vivendi”, é um desafio para todos nós enquanto atores deste “novo” mundo.

A vivência comum digital, devia exigir de cada um, tal como o é na vida real, o cumprimento de deveres e obrigações.

Um dos desígnios do Estado de Direito, é manter pacífica a convivência social, através de regras de conduta capazes e eficazes de sustentar e manter a paz social, onde a participação ampla de cada indivíduo deverá ser acautelada por aquelas regras, a ponto de fornecer aos outros mecanismos de defesa, de preservação de direitos, de respeito às garantias e liberdades.

Compete a todos os atores sociais, quer sejam eles de natureza institucional ou não, contribuir para que a informação limpa, verdadeira e escrutinada seja um valor absoluto, criando competências e formas de controlo da mesma, mas também punindo e levando à Justiça quem ultrapasse a “linha vermelha”.

As calúnias e difamações que se têm visto abundantemente nas redes sociais, sem aparente controlo, contribuem para uma desregulação social cada vez mais abjeta, onde a Justiça a meu ver, deverá ter um papel decisivo para contrariar essa tendência.

A futuro, a Justiça deveria se especializar no controlo das regras de Conduta Digital (não se confunda com o Ciber Crime) e, se necessário for em secções especializadas nos Tribunais, não podendo a jurisprudência manter a “praxis” sustentada no princípio da liberdade de expressão que funciona como que um “livre-trânsito” para a ofensa gratuita e culto da inverdade, onde a intriga e a má-língua abundam de uma forma cada vez mais reinante, intoxicando e destruindo valores que levaram anos a ser instruídos em cada indivíduo ou pelos menos à sua maioria.