Nos anos da corona vírus

A história da humanidade oferece-nos páginas exemplares para mostrar, compreender e como viver, quando se sofre durante as epidemias.

Obras imortais como “I Promessi Sposi” (Os Noivos) de Alexandre Manzoni, a propósito da peste que mortificou o norte da Itália nos anos 1629-31, ou o livro “La Peste” de Albert Camus, na epidemia da cidade argelina de Oran, em 1849, leva-nos a interrogar-nos sobre a natureza e o destino frágil da condição humana. Viver nos tempos da “corona vírus” leva-nos a refletir como se promove a saúde dos cidadãos da humanidade e do nosso planeta, não apenas agora, mas como nas outras pandemias, no caso do Aids, da tuberculose ou da malária. Nos anos da corona vírus, graças a Deus, o amor, a dedicação, e a responsabilidade de enfermeiros, médicos, e tantas outras pessoas, apresentaram a Face Luminosa de uma classe de profissionais e voluntários, que honram a dignidade da pessoa humana e merecem o nosso respeito e agradecimento sincero.

Os números são aterradores, julga-se que no ano 2019, cerca de 38 milhões de pessoas no mundo tiveram o vírus HIV; em 2018 mais de três biliões de pessoas estiveram em perigo de transmissão da malária e 92 países do mundo, principalmente na África ao sul do Saará com 435.000 mortos, dos quais 61% por cento, eram crianças. A Organização Mundial de Saúde, onde se encontram estes números, fala de 10 milhões de pessoas que adoeceram com a tuberculose em 2018, com mais de um milhão e 200.000 mortos, sendo 11% de crianças e jovens com menos de 15 anos.

Todos estamos em risco de contrair infeções e difundi-las noutras pessoas, como vítimas e difusores de infeções. Uma outra dificuldade semelhante é o ambiente  e as condições  de vida no Planeta ameaçado, não de um vírus, mas do nosso estilo de vida. É trágica a ironia das doenças contagiosas, o que é infetado torna-se aquele que infeta, mostrando a falsidade de atribuir a culpa a um outro.

O bem da saúde é pessoal e social, individual e coletivo, local e global. Não podemos deixar de ocuparmo-nos da saúde dos outros, pensando que o que conta é apenas a nossa saúde individual. A fé cristã defende a urgência de promover a saúde como bem pessoal e social, para qualquer pessoa do Planeta, para as gerações atuais e para as do futuro.

Não podemos culpar Deus  pela responsabilidade  do que acontece no mundo, Deus não nos pune pelos nossos males ou pelo nosso pecado, pessoal, social e estrutural, sob forma de epidemias, embora nem sempre se falasse desta maneira. O Deus da Bíblia é o Emanuel, o Deus connosco, misericordioso, cheio de compaixão, que nos acompanha em toda a nossa vida, que toma sobre Si os nossos pecados, é criador e recriador, cura e liberta a criação e as criaturas, respeita a liberdade humana como a do universo. Pensar de outras formas e criar imagens idólatras de Deus, apresentando a” justiça divina” feita à nossa imagem e semelhança. A cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo convida-nos a contemplar Jesus Cristo, morto e ressuscitado por amor de cada um de nós e de todo o mundo, reviver à luz da sua graça e ressurreição, que nos acompanha agora e sempre, mesmo quando não pensamos n’Ele, nem na caridade para com os nossos irmãos, principalmente os que sofrem, sem terem junto de si um Bom Samaritano.