É difícil não enlouquecer!

A nossa saúde mental é como uma bola de sabão!

A nossa personalidade constrói-se como se constrói uma casa (metáfora). A casa pronta só é posta à prova nas ocorrências. A qualidade da construção da nossa personalidade é posta à prova nas ocorrências da vida.

Irritam-me as frases das redes, onde se fala da loucura como algo que pode ser bom. Não é, alguém que descompensa psiquiatricamente está a sofrer sozinho, é uma realidade única e muito solitária.

Se a loucura serve para fugir à realidade, então como está a nossa realidade? Está assustadora, confusa, incongruente e muito injusta. Boas políticas trazem menos problemas de saúde, o cérebro faz parte do corpo. Como técnica de saúde mental defendo que investir em saúde é investir na qualidade de vida das pessoas. Qualidade de vida é garantir as necessidades básicas, a melhor prevenção da doença é ter qualidade de vida.

Vejo campanhas de partidos (ano de autárquicas) a se gabarem dos “pensos rápidos” que colocam na sociedade. Sem perceberem que o verdadeiro objetivo é evitar as feridas!

“Casa roubada trancas à porta”. Mas o que havia de valor os ladrões já levaram.

Não há feridas para colocar “pensos rápidos” quando são respondidas as necessidades básicas. Educação, habitação, emprego para todos. Com a garantia destas é tudo mais fácil.

O pior é que os “pensos rápidos” até dão votos! Porque “Casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão”.

Temos de aprender com as “feridas expostas” (doença mental, invalidez, poucas habilitações, desemprego, sem abrigo, crime e etc.) e começar hoje a construir “boas casas/personalidades” que sejam fortes e preparadas para o futuro.

Os alicerces da construção da nossa casa/personalidade são feitos na infância, há crianças que ficam mais horas na creche e na escola do que alguns adultos no trabalho. Muitos pais têm de acumular dois empregos para poder pagar as contas. Outros estão tão cansados e psicologicamente frágeis que usam estratégias para acalmar/cansar os filhos podendo estas, quando são em excesso, fragilizar a “construção da casa”. É preciso brincar e estar para ter bons alicerces.

Investir na construção desta casa/personalidade passará sempre por aumentar ordenados, valorizar carreiras, 35 horas de trabalho para todos e entrada de novos profissionais no serviço público de saúde e na educação. Há funcionários a trabalhar por dois. Um “mestre” cansado/desmotivado/descrente de certeza que “aldraba” a construção de uma “casa” (filhos, educandos) e a reabilitação da sua (autocuidado).

Casas “aldrabadas” são frágeis, uma chuva forte de inverno danifica a casa como se fosse um 20 de fevereiro, surgindo a doença.  Os “pensos rápidos” tapam “feridas” escondidas e sairão sempre mais caros do que estes investimentos. Os custos com a Segurança Social e Serviço Público de Saúde seriam muito reduzidos. O bolo do orçamento seria maior. Personalidades fortes fazem um país forte!

Os países que são considerados os mais felizes são os que têm mais condições de habitação, educação, emprego e saúde. Tudo o que defende o BE. Felicidade traz saúde!

Em Portugal defende-se a procura da felicidade mesmo sem condições. Desenrascar?

Como nos desenrascamos fazendo projetos de vida por seis meses?

O tempo do contrato precário de trabalho (pensos rápidos) para trabalhar em empresas que dão lucro, ricas, ao mesmo tempo que lhes é pedido gratidão!

Como ser saudável num mundo com falta/perda de empatia, afinal: “Pimenta no rabo dos outros, para nós é refresco”.

É difícil não enlouquecer!