Os nossos empreendedores precisam de mais

A Venezuela desde a década dos 40 até aos 80, acolheu de braços abertos uma vasta comunidade portuguesa vinda, principalmente, da Região Autónoma da Madeira, para dar início a uma nova vida naquele país, aproveitando o processo de abertura política e de modernização que imperava.

Nestes últimos anos, o cenário mudou completamente e são muitos os descendentes e portugueses emigrados na Venezuela, que voltaram para a Região Autónoma da Madeira, à procura de uma nova oportunidade na sua terra. Esta nova geração volta às suas origens, à procura das suas memórias na terra dos seus pais e dos seus avôs, porque os madeirenses que deixaram a Madeira rumo à Venezuela e também à África do Sul, na sua maioria, mantiveram uma grande ligação à terra que os viu nascer.

Muitos dos que regressam, desde cedo planeiam iniciar o seu próprio emprego através da concretização de novos empreendimentos, até à recriação de ideias estrangeiras na nossa região, o que em muito tem vindo a contribuir para a economia regional.

De factos muitos emigrantes vindos da Venezuela e da África do Sul têm apostado na nossa região, quer na reabilitação de prédios degradados, como em novas unidades hoteleiras, restauração e ainda indústrias. Com os seus empreendimentos têm vindo a contribuir com a dinamização da nossa economia, criando postos de trabalho, diversificando a oferta os que promovem e são essenciais para o desenvolvimento económico e social da região.

No entanto, os nossos imigrantes com experiência nos seus países de acolhimento, manifestam de forma unânime uma grande inquietude pela inexistência e insuficiência de informação acerca dos requisitos e etapas necessários para iniciarem os seus projetos.

Preocupam-lhes também a excessiva burocracia nos processos de licenciamentos, no que toca à gestão do tempo, e ainda no respeitante aos processos nas principais Câmaras Municipais da região, o que lhes impede e/ou até dificulta a concretização dos seus empreendimentos em tempo útil e que nalguns casos, se traduz numa perda de tempo e de dinheiro, acabando por fim por preferirem outras opções e outras fronteiras.

Nesse sentido, os Municípios como entidades competentes, deverão apostar na solução efetiva destes problemas, através de respostas céleres e esclarecidas a fim dar a confiança que os nossos empresários, de qualquer ramo, necessitam e assim promover mais e melhor investimento através da desburocratização dos procedimentos; Instruindo os processos de forma clara e transparente. Há que prover aos empreendedores, as respostas em tempo útil e ainda há que certificar-se que as informações sejam suficientes e esclarecidas de todos os processos de licenciamentos.

Sem embargo, parece-nos de grande importância a criação da Rede Regional de Apoio ao Investimento da Diáspora por parte do Governo Regional, que visará apoiar o investimento dos emigrantes madeirenses na região, assegurado através da coordenação com as diversas Secretárias da Administração Regional com o intuito de procederem à gestão de instrumentos de apoio ao investimento, possibilitando assim, respostas mais céleres às preocupações dos nossos emigrantes empreendedores.

Os madeirenses que saíram, os que ficaram e os que hoje regressam, levaram sempre a Madeira e a Venezuela no seu coração, sem esquecer as suas terras e sem deixar jamais alguém para atrás.

Aos que decidiram regressar, serão sempre bem-vindos à Região Autónoma da Madeira, esta que é sua terra!