As faces da (inFertilidade)

Este é o mês da Fertilidade, um mês que assinala também o dia da Criança, seres fundamentais nas nossas casas e na nossa sociedade. Com todas as alegrias (cansaço e preocupações normais) que nos proporcionam, as crianças são sem dúvida os nossos “pequenos” tesouros – são o nosso Futuro.

Criar um filho envolve uma concertação entre permanentes trocas emocionais, promoção de autonomia, empatia e uma série de aprendizagens e cuidados, que no seu todo, preenchem a esfera educacional.

Não existem receitas perfeitas, existe sim, um Amor que é perfeito para os preparar para o mundo.

Educar com amor é preparar para a vida. Cuidar é dar amparo, é acompanhar o voo e consolidar a confiança.  É ser um porto seguro.

Como pais, é essencial cuidar mas também cuidar-se, permitindo-se existir no papel de “pessoa”, o que se refletirá à posteriori no fortalecimento do papel parental. Com pais felizes e equilibrados, teremos sempre crianças mais felizes.

“Ser mimado” não é sinónimo de vazio nem de capricho. Queremos é pessoas mimadas (amadas), empáticas e responsáveis – uma tríade indissociável.

Precisamos de uma sociedade mais inclusiva, que prepare e potencie a sua população. Que apoie as famílias, que aposte na qualidade de vida e que fomente o desenvolvimento harmonioso e a responsabilização individual. Que premeie o mérito e o esforço, que eleve os princípios morais e capacite desde cedo os homens e mulheres do futuro, pois estes serão um produto do que se fizer hoje.

Todo investimento deverá ser sempre pensado a longo prazo, representando assim um olhar consciente por parte de quem nos governa. Não podemos plantar uma árvore a aguardar que nos dê fruto no dia seguinte, teremos de percorrer todo um caminho de cuidados e investimento.

Falamos sobre a vida humana, parte essencial da nossa sociedade, na proteção da sua continuidade, mas falamos muito pouco da sua “impossibilidade”.  Falamos (e muito bem) de incentivos à Natalidade, mas muito pouco - quase nada, de incentivos à “fertilidade”.

Este também foi o mês onde se assinalou o dia Mundial da Infertilidade. Para uma parcela significativa de Portugueses, decidir ter um filho e concretizar esse desejo não é assim tão fácil.

O sonho da parentalidade muitas vezes cai num vazio e desesperança, quando confrontados com a sua impossibilidade, quase nunca imaginada. Viver a infertilidade acarreta um conjunto de tarefas e esforços emocionais muito exigentes.

Ter de percorrer um caminho turbulento (tratamentos), com avanços e recuos, colocando à prova as suas capacidades e resiliência individuais e do casal, é já equiparado pela ciência a uma vivência com níveis de stress semelhantes (ou mais intensos) a outras doenças  que tanto nos amedrontam (doenças oncológicas).

15% da população mundial (OMS) apresenta um quadro de infertilidade, estando Portugal no topo da Europa no que toca à baixa taxa de natalidade e com cerca de 300 mil casais inférteis.

Falar sobre infertilidade ainda não é comum, falar do que é SENTIR a infertilidade é quase raro. Aprender sobre as suas causas, a sua incidência, repensar a sua prevenção, são tudo temas pouco debatidos socialmente, criando um mito e um preconceito, que poderão ser altamente desvantajosos para a nossa sociedade.

A todas as pessoas  que diariamente passam por tudo isto, uma palavra de conforto e esperança - são uns lutadores!

A todos os profissionais que diariamente se mobilizam por esta causa, um grande bem haja!

Ao Legislador, aos Srs. Governantes, uma questão: E se tudo isto se fosse consigo?