O Templo e as Festas de Israel

Para os judeus do tempo de Jesus e de São Tiago Menor, o Templo de Jerusalém era o lugar mais santo da terra e o lugar onde Deus podia ser adorado de uma forma perfeita segundo a Lei da Torah.

As dimensões deste edifício eram tão grandes e ricas que Jesus não chegou a vê-las terminadas, ficaram completas no ano 64 D.C. o Templo foi destruído por Tito no ano 70 da nossa era. São Tiago Menor visitou-o todos os anos pelas grandes festas e, após a ressurreição de Jesus, viveu em Jerusalém até ao ano 62, quando foi martirizado, sempre junto do Templo. Este soberbo e magnífico conjunto era controlado pelos sumos sacerdotes que todos os dias de manhã e de tarde ofereciam um holocausto de animais a impetrar as graças divinas pelo povo. O Sumo Sacerdote, descendente de Aarão, irmão de Moisés, entrava no Santo dos Santos uma só vez por ano, no dia da Expiação ou Yom Kippur, para realizar um sacrifício expiatório pelos pecados de todo o povo de Israel. Como mais ninguém pudesse entrar no Santo dos Santos, o Sumo Sacerdote levava uma cordinha presa a um pé para, no caso de morrer lá dentro, ser arrastado para fora e ninguém profanar o lugar da presença de Deus.

Na época de Jesus e de São Tiago celebravam-se seis festas já referidas na Torah, A primeira do ano era a “Purim” ou Sortes, celebrada por volta do mês de março, para celebrar a libertação dos judeus do iníquo Hamam, no tempo da rainha Ester, esposa do rei Assuero, que ditara a destruição de todos os judeus.

A segunda festa era a Páscoa, em hebraico Pesah, celebrada a 14 de Nisan, no início de Abril, para comemorar a libertação dos judeus do jugo do faraó do Egito. Era tão importante que os governadores romanos costumavam libertar um preso nessa data. A seguir à Páscoa e, em relação com ela, celebrava-se a festa dos pães ázimos durante sete dias. Segue-se a festa do Pentecostes, cinquenta dias após a Páscoa, para comemorar a entrega da Lei (Torah) por Deus a Moisés, e a colheita do grão que os judeus ofereciam no Templo, dois pães chamados “pão de água”.

A outra festa era o dia da Expiação, ou Yom Kippur, que consistia num jejum, o único dia, como já dissemos, em que o Sumo Sacerdote entrava no Santo dos Santos para oferecer incenso e aspergir com o sangue de um animal sacrificado no grande altar do átrio dos sacerdotes. Ainda hoje, os judeus praticantes jejuam e rezam de uma forma muito solene durante todo este dia.

Cinco dias depois celebra-se a festa dos Tabernáculos ou Tendas, geralmente cerca do nosso dia 1 de outubro. Comemora-se o tempo em que Deus protegeu o povo que atravessava o deserto durante quarenta anos, saído do Egito. É ocasião para agradecer a Deus os dons concedidos durante todo o ano. Durante esta festa, os judeus, ainda hoje, constroem tendas com ramos de árvores e flores, tanto no deserto como nos terraços das casas ou jardins, para recordar os tempos do deserto, dando um ar de festa e alegria que contagia também os peregrinos que visitam a Terra Santa. Antes da destruição do Templo, um sacerdote com um jarro de ouro fazia uma libação com água trazida da piscina de Siloé e o Templo era iluminado com quatro grandes lâmpadas colocadas no Átrio das Mulheres. A meio de dezembro, celebrava-se a nova festa da Dedicação do Templo realizada por Judas Macabeu, lendo o povo judeu os livros 1º e 2º dos Macabeus.

Jesus visitou o Templo diversas vezes, São Tiago Menor viveu anos frequentando-o todos os dias, uma das viagens de Jesus adolescente e de todos os jovens de Israel, ainda hoje, é a do “bar-mitzvah”, rito que que indica a passagem de menino a adulto, lendo o Rolo da Lei. (Cf, Luc. 2,42 ss.) As famílias judias celebram esta festa com grande solenidade durante uma semana para os seus filhos do sexo masculino, com a leitura da Bíblia junto do Muro das Lamentações (Akotel) em Jerusalém, o que é muito apreciado e fotografado pelos peregrinos da cidade santa.

Na época de Jesus e de São Tiago Menor tinham importância as sinagogas, espalhadas pelas cidades e povoados, onde o povo se reunia para ouvir a leitura e explicação da Torah, encontrando-se sempre nelas, como ainda hoje, um rolo da Lei, guardado com muito respeito e veneração.