Que não pereçamos sem alcançar uma vitória…

Horace Mann disse que nos deveríamos envergonhar de morrer até ter alcançado uma vitória para a humanidade. E Hans Küng referiu que “crer é o que move a razão, o coração e as mãos de uma pessoa, o que engloba o pensamento, a vontade, o sentimento e a ação”.

Efetivamente, é o crer, este jeito muito próprio da fé, que nos conduz à esperança e nos impele a atuar, com amor, por um mundo melhor!

Este mundo que é feito por pessoas, muito humanas, com virtudes e fragilidades, por mim, pelo leitor, por todos nós. Mundo que nos pede, tal como tão bem escreve Ricardo Reis, que sejamos inteiros, que nada nosso exagere ou nos exclua, que sejamos um todo em cada coisa, pondo quanto somos no mínimo que fazemos!

Mas verificamos que nem sempre atendemos a tal pedido…, vacilamos, facilmente nos iludimos e deixamo-nos influenciar por luzes que mostram um espectro de uma realidade que nos coloca no centro e que mais não é do que pura fantasia! Sei que os holofotes são uma verdadeira tentação. Mas, também, sei que a vida exige de nós a essência que alcança que dependemos uns dos outros, que não nos fazemos sozinhos e que é com todos, discutindo com argumentos e a todos respeitando, que “o mundo pula e avança, como uma bola colorida, entre as mãos de uma criança”.

Sempre sonhei ser advogada, “lutando” contra os professores que desejavam que fosse para medicina…, lá fui para Direito, e graças a Deus, alcancei a profissão que amo. A advocacia… que nos permite, com um profundo respeito por todos os demais intervenientes judiciários (Magistrados Judiciais, Magistrados do Ministério Público, Funcionários Judiciais, Solicitadores e Agentes de Execução), “tocar as estrelas”. E tocamos as estrelas, conforme nos refere o Bastonário Adelino da Palma Carlos, quando combatemos os abusos, quando defendemos os fracos, os oprimidos, quando procuramos encontrar a justa e a adequada solução jurídica, nunca advogando contra o Direito e recusando, sempre, patrocínios que consideramos injustos… e esta nossa liberdade é tão bela!

A verdade é que nem tudo é perfeito, tal com a aqui signatária, mas devemos à sociedade, à Região, ao País, ao Mundo, um sinal de que a Justiça acontece, ainda que tarde, e que a mesma acontece com a entrega, com a alma, com a dedicação de tantos com quem tenho tido o privilégio de me cruzar e que colocam tudo o que são no tanto que fazem nestas lides.

Acredito na liberdade, respeito, profundamente, as ideias contrárias às que defendo, principalmente as que estão alicerçadas em argumentação, e acompanho Sérgio Sousa Pinto quando menciona que “vivemos numa democracia para conversar uns com os outros”, bem como Francisco Sá Carneiro quando refere que, “a política sem risco é uma chatice, mas sem ética é uma vergonha”. Não se compreende, por isso, que não se concretize um plano sério de combate à corrupção, de combate aos conflitos de interesse que minam um Estado Democrático, que vilipendiam a honra de todos os que trabalham árdua, e eficazmente, na Justiça, na Saúde, na Educação e na Política. Os atos de sobranceria, de discussão inócua, que não geram qualquer fruto, devem ser abandonados.

Estamos no mês de maio, mês de Maria, a mulher do Sim, do Dia da Mãe, do Advogado…, que ao longo deste mês, e sempre, imitamos a jovem Filipa Martins que caiu mil vezes e mil e uma vez se levantou e, perseverando, disse “SIM” e colocou o seu nome (Martins) num elemento por si criado de ginástica artística feminina, engradecendo o nosso país que deve colocar o que tem em tudo o que faz. Que não morramos, então, sem alcançar uma vitória para o nosso país, para a nossa região, para a humanidade!