Importa-se de repetir?

O Presidente da Câmara Municipal do Funchal, Miguel Gouveia, acusou o Governo Regional de “promover a sovietização do tecido empresarial”.

Isto a propósito de considerar que o PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) não agrada ao seu município.

Argumenta que fez propostas, no período de consulta pública, para ter áreas que considera necessárias, apoiadas no município.

Porém, não parece ter percebido que o autor do PRR, António Costa, não quis qualquer contributo ou debate minimamente preparado.

Quis fazer a consulta pública durante 25 dias de agosto de 2020, em pleno Verão!

O PRR o que permite é investimento estrutural, em áreas específicas, como a transição digital, a transição climática e num grande chapéu denominado Resiliência, onde se incluem o fortalecimento do serviço regional de saúde, o reforço da oferta de habitação apoiada na Região e o fortalecimento das respostas sociais.

Como é evidente, os 832 Milhões de euros que estarão à disposição da Madeira para em seis anos aproveitar este esforço comunitário de recuperação da nossa economia e de investimento estruturante em setores de forte apoio social que estão bem identificados, não vai acontecer na Lua!

Nem será feito em 10 municípios, excluindo o do Funchal!

Pensar assim é fazer de tontos metade dos cidadãos da Região Autónoma.

Alguém tem dúvidas que a grande fatia dos investimentos em oferta de habitação social, em reforço da resposta em saúde, em mobilidade sustentável, numa administração pública mais eficiente e numa escola digital irão acontecer e beneficiar os funchalenses?

Claro que não.

Pior. Defender que as empresas sejam apoiadas e depois acusá-las de serem parte de um “sistema soviético” é, mais do que má fé, um atentado ao bom nome, ao esforço e à capacidade de resiliência dos empresários da Madeira.

Miguel Gouveia tem os piores exemplos de uma suposta visão democrática, aberta e transparente da sua gestão.

Recordemo-nos apenas da tentativa de extinção apressada da empresa Frente Mar, para fugirem ao escrutínio de uma gestão de duvidoso rigor e transparência. Foi aprovada uma auditoria independente em Assembleia Municipal. Ao modo do regime soviético, a independência encontrada foi a auditoria ser conduzida pelo Presidente da Câmara.

Recordemos uma arrastada obra da Etar do Funchal, que este Presidente queria construir por debaixo do campo de jogos do Liceu Jaime Moniz e que, não fora a pronta indignação da comunidade escolar, tal loucura teria avançado!

Nas dívidas sistematicamente proteladas, de água fornecida pela ARM, (cujo não pagamento coloca em perigo o funcionamento da empresa regional de gestão desse bem essencial) e que ao fim de anos, vemos o tribunal a condenar a edilidade funchalense pelo não pagamento do consumido e em grande parte desperdiçado pelos canos furados da nossa cidade.

Um quarto e último exemplo. A demonstração de finura e trato de refinado recorte com que o Presidente da Câmara do Funchal tratou o artista plástico Madeirense RIGO, convidado para ser comissário da candidatura Funchal Capital Europeia da Cultura 2027 e depois literalmente pontapeado para a calçada, de modo a poderem pagar o triplo pelo mesmo trabalho à APCA.

Alguém falava de sovietização?