NEET *

Dados recentes relativos à Pandemia COVID-19, que veio assolar a europa nestes últimos 2 anos e que ninguém hoje pode contestar, conduziram a UE a uma recessão.

Permitem concluir, que no caso do desemprego jovem, este, acaba por ser mais intensamente afetado que o desemprego global. Concretizando, seguindo estimativas dadas pelo Eurostat a taxa de desemprego dos jovens aumentou na UE de 14,9% em março de 2020 para 17,5% em outubro. Em Portugal, esta incidência é ainda mais acentuada passando de 18,3% para 24,7%.

Esta problemática do desemprego jovem não deve, no entanto, ser vista de forma simples e descontextualizada. Existem várias cambiantes e motivos para a sua ocorrência.

Consultado o mais recente relatório da OCDE “Education at a Glance”, em média, nos países da OCDE, 14% dos jovens entre os 18 e os 24 anos não trabalham nem estudam. Complementarmente, o Eurofound evidenciava, naquilo que constitui a realidade jovem dos NEET (jovens entre os 15 e os 24 anos que estão desempregados ou inativos e afastados do sistema educativo ou formativo), que em 2015 a UE totalizava aproximadamente 90 milhões de jovens entre 15 e os 29 anos, sendo que desse grupo etário cerca de 14 milhões são NEET.

Compulsados os relatórios sobre estas matérias podemos constatar, que não sendo uniformes os motivos, alcance e caracterização, aqueles documentos agrupam-nos, fundamentalmente, em torno de cinco tópicos: os desempregados convencionais (de longa e curta duração); os que não estão disponíveis (doença/responsabilidades familiares); os inativos (que não procuram emprego/formação/educação); os que apenas  procuram uma oportunidade (ajustada às suas competências/qualificações) e a voluntariedade (os envolvidos noutras atividades não formais).

Perante a heterogeneidade implícita torna-se, portanto, crucial analisar os fatores que explicam os motivos que conduzem a cada um destes “percursos” e, particularmente, será determinante tê-los presentes nas opções ao nível das políticas públicas, que devem atender ao emprego/educação desta faixa de desemprego; e, ainda, considerá-los nas evoluções globais, que os mercados de trabalho, educação e formação, vão tendo em paralelo com a evolução do próprio sistema económico. 

Estamos, assim, perante um problema global que exige respostas públicas holísticas, que não podem esquecer, todavia, estas particularidades. Não obstante, o caminho que vem sendo feito, no sentido de combater o abandono escolar precoce, por um lado, e o incentivo ao aumento das qualificações e competências profissionais, por outro; considerar o Trabalho, como fator estruturante para os jovens, para as famílias e para a sociedade onde pertencem (fazendo com que aqueles e estas percebam o fator de inclusão que o Trabalho desempenha) é um desafio estruturante e geracional, que urge não perder de vista.

Pelo impacto, que acaba tendo -e pode vir a ter em termos futuros- num desenvolvimento global, que pode constituir fator de competitividade e dinamismo económico nacional, convocar todos: parceiros sociais e educacionais, atores políticos e comunidade em geral torna-se fundamental. Manter a coesão social deve, assim, constituir um objetivo que nos deve mover. E a este propósito, de resto, parece existir um largo consenso.

Hoje, o acesso ao trabalho remunerado vai tornando-se cada vez mais difícil para um número significativo de jovens adultos e os casos dos NEET em encontrarem um retorno pessoal e social, pelos motivos heterógenos que se aludiu antes, ainda agrava mais este diagnóstico. Não intervir conduzirá à desmotivação, ao desinteresse e à incompreensão, pelo facto de os jovens não visualizarem quaisquer oportunidades ou não verem satisfeitas aquelas que entendem ser as soluções de emprego para as suas legítimas expectativas. E as consequências, em não atender a estas preocupações, já as vamos assistindo, por exemplo, na França com o movimento dos “coletes amarelos” e a instabilidade social e política, que conseguiu provocar num país com aquela dimensão e cujos contornos de alcance global estão ainda longe de conhecer.

 

* Acrónimo do inglês “not in employment, education or training”.

 

Eduardo Alves escreve
à segunda-feira, de 4 em 4 semanas