Será que estiveram nus na mesma festa?

Quando fazemos algo errado/fora da lei contra o estado é esperado uma punição, contudo, o que temos observado é que esta punição nem sempre é garantida. Avaliando pelos crimes que chegam a público (uma minoria), tenho a sensação que a ideia “podes fazer que não vais ser punido” é muito frequente e que impera a regra do quero, faço e posso, a lei da impunidade.

Esta lei é confirmada pela banalização e desvalorização destes crimes, até por representantes do governo e da política.

Quando oiço estes comentários, na minha cabeça surge uma questão: “Será que estiveram nus na mesma festa?” isto é, os criminosos e com os que banalizam o crime? O que aconteceu na festa ficou na festa?

O 25 de abril trouxe liberdade, mas não trouxe este tipo de liberdade!

Em jovem assisti à vaidade descarada “dos pequenos criminosos”, que usavam carros de luxo no nome das suas empresas (despesas da empresa e menos impostos) e as casas de férias de luxo estavam no nome dos filhos, para acederem ao crédito bonificado jovem. Já para não falar dos óculos de sol de luxo, pagos pela ADSE. Era muita vaidade descarada e à custa do estado...

Mas estes criminosos eram tão aplaudidos e valorizados, que até parecia que o estado era um “milionário anónimo”, quando afinal, quem financia o estado somos todos nós.

Moralmente o ladrão que me rouba algo, um telefone, por exemplo, é mais punido que o ladrão que rouba ao estado e que rouba a todos nós!

A maioria dos crimes financeiros tem como vítima o estado e o estado somos todos nós. Andam a nos roubar à descarada, é o que sinto.

Como evitar isto?

Criando leis que nos protegem a todos.

Todos os crimes implicam dinheiro, logo como diz José Manuel Pureza: “Seguir o rasto do dinheiro é a principal arma contra a corrupção”. Por isso, temos de garantir que seja justificado/declarado todos os rendimentos, mesmo os que são oferecidos/emprestados por um amigo, ou por um familiar.

Pagamos imposto se ganharmos no totoloto e não vamos pagar de empréstimo/heranças de amigos e familiares?

O BE esteve reunido com ASJP (sindicato de juízes), que propõem uma lei específica para quem detém cargos públicos e punição ainda mais severa para os que não declaram. Já somos obrigados a declarar, mas há sempre os esquecidos, e essa lei serve para punir fortemente os esquecidos.

Não comentar deixará de ser uma resposta para um não declarante. Não declarar já é crime!

Na verdade, não se percebe as pessoas que depois de terem cargos públicos, aumentam em muitos os seus rendimentos. Pessoas que depois de serem eleitas, melhoram muito a sua vida financeira, em vez de cumprir com a missão do seu partido político.

Não vale a pena ter discursos populistas de revolta se as leis não se alterarem. Só com melhores leis de controlo de riqueza, podemos tentar impedir e punir os crimes financeiros apanhando todos os “nus da festa”! É preciso garantir a aprovação destas novas leis!

Confesso que não tenho nada contra festas, desde que não seja o estado a pagar as contas!

Na história do crime e corrupção, Al Capone foi preso por fugir ao fisco, enquanto Imelda Marcos aos 89 anos foi julgada com 77 anos de prisão. Ironicamente existe nas Filipinas um museu com a coleção de sapatos (3000 pares de luxo) que Imelda comprou com o dinheiro do seu povo (corrupção). Foi preciso mudar e aplicar inteligentemente algumas leis para chegar a estes dois.

O “Só sei que nada sei” de Socrates não pode valer para avaliar crimes, nem pode ser usado pelos que estão no título metafórico deste artigo.