A luz ao fundo do túnel

Foi em 2019 que se ouviu falar em coronavírus pela primeira vez, lá longe, na China. Contudo, não tardou muito até que o nosso país e a nossa região fossem abalados; 2020 foi um ano duro, e o início de 2021 foi verdadeiramente dramático.

Um ano depois do primeiro confinamento, da restrição da nossa socialização, eis que surgem medidas há muito desejadas por muitos e o desconfinamento está à nossa porta. Mas, há que encará-lo com responsabilidade, pois um passo mal dado por alguns poderá significar o sacrifício de todos, e aqui, caros leitores, nunca uma frase fez tanto sentido “Um por todos e todos por um!”.

A esperança arrancou com o processo de vacinação; desde que se iniciou, já foram administradas mais de 80 mil vacinas na nossa região, e aqui não posso deixar de louvar o trabalho das equipas de saúde, nomeadamente dos Enfermeiros, que têm sido capazes de levar a cabo um trabalho hercúleo! A todos vós, um grande e enorme bem-haja!

Por outro lado, a testagem massiva da população, que arrancou de forma voluntária e organizada no dia 26 de abril, é sem dúvida um outro passo muito importante no nosso futuro coletivo. Na prática, esta iniciativa do Governo Regional, em parceria com a Associação nacional de Farmácias (ANF), através da disponibilização de testes rápidos de antigénio, de forma gratuita a todos os residentes na Madeira e Porto Santo, com mais de 16 anos, num total de dois testes gratuitos por cidadão em cada mês, é precisamente a forma responsável com que devemos enfrentar esta pandemia. A adesão da população a esta medida é muito importante, uma vez que a testagem regular é essencial para o controlo da pandemia, sobretudo na identificação de casos assintomáticos de forma ativa. Nesta primeira fase, são cerca de 22 as farmácias aderentes, mas há a pretensão de alargar o número de estabelecimentos aderentes, numa verdadeira estratégia de descentralização e de disponibilização de testes gratuitos; tudo depende da adesão da população.

Assim, após o anúncio das medidas de alívio para a contenção da pandemia, onde se destacam as medidas de alívio ao sector cultural e à restauração, onde se permite a utilização dos espaços a 50% da lotação, há de facto um rasgo de esperança que invade as nossas vidas, mas que tem de ser encarado com muita responsabilidade por cada cidadão; cada ação mal calculada, pode implicar um retrocesso nas medidas de desconfinamento, e aí a recuperação será mais lenta e mais dolorosa para todos.

Outra medida muito importante no modo de organização das nossas vidas é a alteração do recolher obrigatório; deste modo, a partir das 0 horas do dia 2 de maio, o recolher passa a vigorar entre as 23.00 Horas e as 05.00 horas da manhã, incluindo os fins de semana, sendo que todas as atividades e estabelecimentos, encerram imperativamente às 22.00 Horas. Pode parecer pouco para alguns ou insignificante para outros, mas esta é a medida mais acertada para permitir a recuperação da nossa economia, porque a pandemia não tem apenas impacto na saúde; neste momento, as consequências económicas e sociais são enormes, e o que se impõe é permitir a retoma das atividades económicas de forma gradual e responsável.

Posto tudo isto, posso parecer repetitiva, mas utilizando a linguagem futebolística, a bola está do nosso lado! Que cada um faça a sua parte, em prol do bem comum da nossa Região!