Não é do malho, é do malhadeiro

Nas palavras de Piers Morgan, a entrevista dada pelo Duque e Duquesa de Sussex são “uma traição absolutamente vergonhosa à Rainha e à Família Real", e um ato “vil, disparatado e destrutivo". Senão vejamos:

Comecemos pela primeira mentira da Duquesa de Sussex que alega nunca ter recebido instruções ou aulas sobre como deveria se portar ou o que deveria fazer e que chegou a dizer que fazia pesquisas na internet antes de eventos para aprender os protocolos reais e até mesmo hinos que deveria cantar. Recorde-se que a própria Rainha Isabel II e a sua Secretária Privada, Samantha Cohen, assistiram a Duquesa durante 6 meses.

A segunda mentira do Duque e da Duquesa de Sussex é que não sabiam que os seus filhos não teriam títulos. Esta alegação é altamente duvidosa, dado que as regras foram estabelecidas pelo Rei Jorge V há mais de 100 anos. De acordo com as mesmas regras os seus filhos só terão o tratamento de Alteza Real e o título de Príncipe quando o atual Príncipe de Gales ascender ao trono, excepção é feita para os descendentes do Duque de Cambridge enquanto primogénito do Príncipe de Gales.

É também do conhecimento público que a Rainha e o Príncipe de Gales pretendem reduzir o número de membros ativos, com funções oficiais, dentro da Família Real (à semelhança das restantes Casas Reais Europeias), reduzir de funções que já se verificam com os filhos da Princesa Real, as filhas do Duque de York (todos eles sem protecção policial paga pelos contribuintes) e aos filhos do Conde de Essex. Sendo o Duque de Sussex sexto na linha de sucessão ao trono, é impossível que o mesmo não se tenha apercebido de que a sua descendência ficaria limitada ao respetivo título e, consequentemente, não sujeito à necessidade de medidas de segurança pagas pelo dinheiro dos contribuintes britânicos.

Outra mentira do casal Sussex prende-se com o facto de alegarem que se sentiam presos numa armadilha, sem o saberem, que estavam presos dentro do sistema, presos a uma vida de causa pública e da qual não podiam sair à semelhança do Príncipe de Gales e do Duque de Cambridge. O Duque de Sussex, melhor do que ninguém, sabe perfeitamente que é possível deixar essa “prisão” que alegadamente os atormentava, bastava ter tido a mesma “coragem” do Duque de Windsor e abdicar de todos os direitos sucessórios, para si e para os seus descendentes! Mais, não se consegue perceber porque é que os Sussex, que sempre defenderam querer privacidade, se expuseram a tamanho ridículo televisivo, quando deveriam ter ficado calados sobre a sua vida familiar privada. Quanto à ajuda psicológica que alegadamente foi negada à Duquesa de Sussex é importante mencionar que há um departamento médico completíssimo que serve não só a Rainha, como também todos os seus funcionários e demais membros da Família Real. Torna-se, portanto, implausível que lhe tenha sido negado ajuda médica de qualquer forma, até porque os próprios médicos atuam de acordo com um juramento universal.

Mas a golpada do Duque de Sussex contra a Família Real, que serve o Reino Unido há mais de 300 anos, foi ainda mais desprezível quando faltou ao respeito para com a avó (que sempre o apoiou), indiretamente chamando-a de senil, ao afirmar que a mesma está a ser mal aconselhada por não saber escolher os seus conselheiros. O Duque e a Duquesa de Sussex traíram o princípio primordial que rege a Família Real: uma vida ao serviço da causa pública da Commonwealth, quaisquer que sejam as adversidades.