A segunda-feira da Páscoa e a importância da família

A segunda-feira da Páscoa é em muitas partes do mundo celebrada como uma extensão do período Pascal. Várias religiōes celebram este dia, como sendo o dia da renovação, acrescido do brilho que a Primavera (nos países localizados no hemisfério norte, como Portugal) nos presenteia por esta altura. Apesar de não ser considerado dia santo, ou ter qualquer significado bíblico, muitos países consideram a segunda-feira da Páscoa como feriado oficial. 

 

Em Portugal, desde o norte ao sul do país, várias regiōes rurais celebram este dia, numa combinação de religioso e familiar, entre missas campais e romarias a cavalo - a segunda-feira da Páscoa reforça a importância dos momentos em família, reforça a necessidade de passar conhecimento entre geraçōes, o aprender com os nossos, o conhecer mais de perto as tradiçōes das nossas famílias e em tom de renovação, enaltecer a importância que Páscoa acarreta.

No Alentejo, a segunda-feira da Páscoa é passada no campo, com a família e os amigos. A toalha xadrez estendida no verde primaveril das planícies alentejanas, abraça o pão, o folar, o borrego assado, a chouriça, o queijo, o presunto e o vinho. As crianças brincam entre as oliveiras e os sobreiros, em gritos de alegria, em brincadeiras soltas. Os mais velhos, sentados em toucos de cortiça, em conversas longas, revivem o passado em tons de brandura, fazendo soar os cantares alentejanos que animam as rodas e ecoam pelos campos, sob o sol quente de Abril, num interminável céu azul. As histórias voam, lendas tomam forma e à sempre lugar para mais um. A força do hábito transformou a segunda-feira de Páscoa num costume no Alentejo, que tem passado de geraçōes em geraçōes, onde o momento em família é valorizado e preservado.

Neste período difícil que vivemos, onde encontramo-nos privados de abraçar os nossos, pela distância que o vírus Covid-19 nos impōe, sentimos a falta que a família nos faz, a importância que representa para o nosso balanço como seres humanos. Pais que sentem a falta dos seus filhos, avós que sentem a falta dos seus netos, filhos que sentem a falta dos seus pais e netos que pensam nos seus avós, num passado distante, porque mais de um ano, para uma criança pequeno, é uma eternidade e difícil de imaginar. Apesar da tecnologia ter vindo suavizar, a crueldade da distância não substitui um abraço, um aconchego, um toque de carinho, uma confidência do momento, o conforto de dormir debaixo do mesmo tecto com os que mais amamos – mas estamos cada dia mais perto.

Quando o momento nos permitir, vamos dar mais importância aos momentos em família, vamos planear mais momentos em família, vamos dar mais tempo para os momentos em família, dar mais tempo para ouvir os nossos e dar mais tempo a partilhar mensagens de carinho e do afecto que sentimos. À nossa família de sangue e à nossa família do coração, os nossos amigos, porque todos são importantes para a nossa plenitude.

A família é o pilar de uma sociedade mais equilibrada, mais humana, mais pronta a agir. Para além das liçōes de vida, que a família nos transmite, é todo um sistema de valores subjacentes à estrutura familiar, que irão ter um impacto fundamental na pessoa que passamos a ser, nos adultos que nos transformamos, na perceção que temos de nós próprios e na forma como iremos tratar os outros. É imperativo contribuirmos para uma família feliz, semeando a harmonia e a paz, para que bons valores nasçam e floresçam numa sociedade jubilosa.

 

Cristina Andrade Correia escreve
à segunda-feira, de 4 em 4 semanas