Raspar cultura? E não só…

A ministra da Cultura anunciou no início de fevereiro que a lotaria instantânea do Património, uma iniciativa do Governo inicialmente prevista para 2020, vai ser lançada a 18 de maio, no Dia Internacional dos Museus.

Vai custar um euro e será uma raspadinha que visa recolher perto de 5 milhões de euros para o Fundo de Salvaguarda do Património Cultural.

Não é uma originalidade portuguesa. É cópia do que já foi feito em França nos anos de 2018 e 2019.

A ideia de dotar com recursos financeiros um Fundo que tem por objetivo adquirir bens culturais classificados ou em vias de o serem, operações de conservação e restauro ou acudir a situações de emergência neste domínio é em si positiva.

O problema surge quando a melhor ideia do Governo para arranjar dinheiro para esta ação é uma raspadinha.

Uma oportuna reportagem do Expresso sobre precisamente este tipo de jogo, que em Portugal é explorado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa devia fazer pensar.

Por dia são gastos pelos portugueses 4,7 Milhões de euros em raspadinhas. A Santa Casa tem um valor de vendas brutas de 1718 milhões de euros por ano. Mais de metade de todas as suas vendas.

Não admira que diga “os problemas do jogo são uma realidade mas não na raspadinha em particular”.

Há pessoas a gastarem as suas reformas inteiras na raspadinha, a gastarem o que têm e o que não têm, pela compulsividade que o resultado imediato (de saber logo se ganhou ou não alguma coisa) provoca, dizem os especialistas, que vão registando casos de adição.

Justificações? A pobreza, a desigualdade, a baixa literacia económica e o fácil acesso, refere o psiquiatra Pedro Morgado.

Portugal é o país da Europa que mais dinheiro gasta, por habitante, em raspadinhas. O dobro da média europeia.

Quanto custará ao Estado o “tratamento” destas situações, os apoios sociais que terá de dar fruto das tragédias humanas que surgem, as consultas médicas de recuperação, o preço do absentismo e o que mais for preciso?

Será que os 5 milhões de euros que conta arrecadar chegam?

Não sei. Parece que ninguém quer saber. Importa o rótulo de que se angariou 5 milhões para a Cultura. A que preço… não parece ser relevante. Varrerão para debaixo do tapete do Palácio recuperado!


Oinc, oinc?

A chinesa Huawei, fabricante global de telemóveis acusada de espionagem, depois de perder 42% no último trimestre de 2020, fruto das proibições estabelecidas pelos Estados Unidos quanto à venda de equipamentos e de microships, anunciou que vai concentrar-se na criação de porcos.

Sendo estimado que metade da população de suínos está na China, a empresa, que prevê diminuir em quase dois terços a sua produção de equipamentos móveis, vai aplicar a tecnologia de reconhecimento facial na identificação de porcos, na pesagem e na monitorização de movimento.

Tem um porco em casa? Cuidado!


Bye bye, Yoshiro Mori

Este é o nome do responsável máximo do comité organizador da próxima edição dos Jogos Olímpicos adiada para 2021 devido à pandemia.

Disse o seguinte durante uma reunião com o Comité Olímpico do Japão, aberta à comunicação social: "As reuniões dos conselhos de administração com a presença de muitas mulheres demoram demasiado tempo. Se for aumentado o número de membros femininos e o tempo de intervenção não for limitado, será mais difícil concluí-las, o que é irritante".

Acrescentou que "as mulheres têm espírito competitivo. Se uma levanta a mão [para poder intervir], as outras sentem-se na obrigação de se exprimirem também. É por isso que todos acabam por falar".

Terminou com "o comité organizador [dos Jogos de Tóquio 2020] tem sete mulheres, mas elas sabem colocar-se no seu lugar".

Foi obrigado a demitir-se sendo nomeada para o substituir a antiga atleta olímpica e até aqui ministra Seiko Hashimoto.

Acabaram-se as reuniões irritantes
para Mori!