Cantam bem, mas não me alegram...

Começo a ficar fartinho. Estou a avisar! Decidam de uma vez por todas a que horas nos temos que fechar em casa. Ora é às 19. Ora passa para as 18! Ora volta para as 19. Uma vez a culpa é do nosso comportamento desviado. Outra é do Carnaval. Mas desta vez, eu não percebi muito bem. Com tudo fechado e polícias em cada esquina (nunca vi tantos na rua e até cheguei a pensar que eram mascarados), nós íamos fazer o quê? Seguir a sugestão do senhor das compotas no Natal e ir levar malassadas com mel de cana aos vizinhos? Não me parece.

Outra coisa que me começa a incomodar é o ar autoritário de quem manda. O persistente tom ameaçador com que se avisa que estas medidas podem ser alteradas a qualquer instante. Mas para pior! Sim, sim. De dedinho no ar e sobrancelha franzida, fomos intimados.

Se nos portarmos mal e formos apanhados por aí a passear o cão ou a dar uma corridinha higiénica, sai mais uma tolerância de ponto e o recolher obrigatório passa para as 10:30.   E não digam que vão daqui.

Vocês eu não sei... Mas eu não estou para isto. Viver em cativeiro? Ter saída precária imposta pelo Governo? Só poder pôr o pé na rua para ir trabalhar? Fechar a clínica e ir à pressa para casa? Desculpem, mas não. Para mim já deu. Já fiz 36! Sou um homem. Vocês não sabem do meu passado e eu não sei do vosso futuro, mas há coisas que são certas... Vejamos.

Quando eu era mais novo, não saía de casa sem ter hora de chegada imposta pelo meu pai. Nunca falhei! Ou atrasava o relógio... Ou então esperava que a Terra rodasse completamente sobre si para me poder apresentar. Era no dia seguinte, eu sei. Mas a hora era aquela e ponto final! 

Depois casei a primeira vez. Não durou muito. O recolher obrigatório era para ser “ad aeternum” e ser seguido à risca. Não havia cá tolerância! Parou-me o relógio, naturalmente.

Voltei a tentar a sorte (um amigo meu diz que se fosse bom não era c”azar”, era ca”sorte”) e lá acertei. Pelo menos até os dias de hoje, chego à hora que quiser! Não tenho qualquer tipo de problema. Sou livre. Só tenho uma condição! Que ela esteja sempre comigo...

E eu não me importo! Antes pelo contrário. Agradeço que ela me acompanhe. É certo que não me meto em apuros. Acreditem! Se o João Loureiro tivesse uma mulher como a minha, não estaria a esta hora, segundo o próprio, no Brasil a “viver um filme”. Não, não é desses que estão a pensar. Safados! É que ele foi apanhado num avião com meia tonelada de cocaína. 1.º a minha mulher não viaja em aviões privados. 2.º prefere sempre a TAP. Como é sabido, o limite de bagagem é muito inferior a esses 500 kgs e mesmo que fosse esse, ela arranjava roupa suficiente para nem caber um pacotinho de “farinha”.

Por favor, não façam vocês farinha e julguem que eu estou a classificar as mulheres. Que sou machista. Longe de mim! Só falei da minha. Seguramente que é única.

Já as variantes do vírus é que são mais que muitas. Cá para mim ninguém entendeu nada do que era para fazer! A ideia não era juntar os países todos para encontrar uma vacina que combatesse o Covid? Era. O que fizeram? Cada um inventou uma variante. O Reino Unido foi o primeiro. Brasil e África do Sul seguiram o exemplo. Agora Japão. Até tenho medo de quando for a portuguesa. Aí acabou. Não há remédio, bazuca ou vitamina que nos salve...

Muito menos um concerto da Cuca Roseta! Ok, ok. Eu sei que foi com boa intenção. “Proporcionar um pequeno alívio emocional aos profissionais de saúde”. Mas não era preciso música. Bastava ter prometido o pagamento de prémios.

Olhem, como fazia o ex-Diretor Regional dos Serviços de Informação de Segurança da Madeira. O antigo espião procurava angariar “investidores”, acenando com grandes retornos em pouco tempo. Num esquema em pirâmide, pois claro. Os invejosos não perdoaram. Mas será que esta gente não pode ver os outros felizes? Não querem ganhar dinheiro fácil? Ok. Eu entendo. Mas também não têm o direito de atrapalhar quem quer. Vão agora acusar o senhor de burla? Ainda por cima sabem que isso vai dar no mesmo que deu o dinheiro aplicado. No porco!

Povo enganado.