Impacto da pandemia nas mulheres

Este, é o título da próxima iniciativa do MDM- Madeira alusiva à sinalização do Dia Internacional da Mulher, que este ano recorrerá às plataformas virtuais para a divulgação do evento- já no próximo dia 5 de Março às 18: 30 horas. Participarão, como oradores, uma dirigente nacional do MDM, um dirigente sindical, uma psicóloga clínica e uma representante da Associação Presença Feminina, precisamente para se debater e reflectir sobre os principais sectores em que as mulheres têm sido (ainda mais) penalizadas no contexto que vivenciamos desde há um ano: o trabalho, a saúde mental, a violência.

É a própria ONU que já veio alertar para os riscos a que as mulheres estão sujeitas quer ao nível da saúde, da segurança e da proteção social "por causa do seu género" e a exacerbação desses riscos perante o quadro pandémico.

Começando pelas questões laborais, prevê-se que a discrepância salarial entre géneros se agravará, penalizando as mulheres e atirando-as para um ainda maior risco de pobreza. São elas as primeiras a serem sujeitas a layoff ou a ficar sem emprego, e quando se fala em teletrabalho e trabalho doméstico, a pandemia trouxe-lhes um acréscimo de dificuldades na gestão da vida profissional e familiar, sobrecarregando-as ainda, e mais, nos trabalhos domésticos (as mulheres já antes trabalhavam mais 3 horas em casa do que os homens; com a pandemia esse número subiu para 6). Por outro lado, as mulheres são quem maioritariamente trabalha nos sectores mais afectados, de uma forma ou de outra pela crise, como a saúde, a restauração, o turismo e comércio, advindo daqui um impacto ainda mais profundo ao nível sócio-laboral para as mulheres. Teletrabalhar é trabalhar a dobrar, de acordo com as conclusões de alguns estudos, vulnerabilizando as mulheres com muito mais cansaço e esgotamento (sobretudo as que têm crianças ou outros dependentes a seu cargo- ou não estivessem as mulheres em maior número no que respeita aos cuidados informais). 

Quando se fala de saúde, e mesmo que os números apontem para um maior número de homens afectados pela Covid19, as mulheres estão sujeitas a perigos acrescidos, sobretudo se estiverem grávidas (e as gravidezes indesejadas e os abortos aumentaram durante a pandemia...). No que se refere aos riscos de patologias mentais- como os distúrbios de ansiedade e a depressão, mais prevalentes nas mulheres - o confinamento, o medo e a incerteza em relação ao futuro, os lutos que afectaram muitas de nós, vieram acrescentar às crises sanitária e económica, uma preocupante "crise de saúde mental".

Já no respeita à violência - e muito no decurso do isolamento profiláctico obrigatório, em que as mulheres "ficam trancadas com os seus agressores"- esta, não só tem aumentado sobre as mulheres, como tem sido evidenciada a emergência de novos casos de violência doméstica ("uma em cada cinco mulheres sofreu de agressões físicas ou sexuais por parte do seu parceiro em 2019, um número que se agravou este ano durante o período de confinamento").

A verdade é que a pandemia tem ameaçado os, já de si frágeis, avanços para rebater as discriminações e desigualdades de género e equiparar a concretização de direitos iguais para ambos os sexos.

E ante esta visão preocupante, que medidas concretas têm adoptado o governo regional e nacional para proteger o género feminino durante esta crise pandémica, por forma a evitar que as conquistas anteriores não recuem nem periguem os direitos das gerações vindouras?  A região e o país, lamentavelmente, continuam a falhar na diminuição das desigualdades entre homens e mulheres.

Sim, esta pandemia não afecta todos da mesma forma...