Eleições em ‘banho maria’? Não, obrigado

É verdade que estamos, todos, a passar momentos plenos de anormalidade, com esta maldita pandemia e as restrições que ela obriga sem dó nem piedade. Estamos todos no ‘mesmo barco’, pelo menos nesse aspeto o vírus é um exemplo de democracia.

Os constrangimentos são mais do que muitos. Nuns setores fazem-se sentir de forma muito mais acentuada do que noutros, não há quem se livre desses constrangimentos. Mas daí a sugerir mais alterações ao que está programado, como é o hipotético adiamento das Eleições Autárquicas após o verão deste ano, deveria haver maior bom senso.

Primeiro, porque um eventual prolongamento dos efeitos nocivos da pandemia até à época da campanha e do próprio ato eleitoral não prejudica o cumprimento do dever cívico de votar. Esta conclusão está devidamente fundamentada no que ocorreu em janeiro, nas Eleições Presidenciais: após tanto dramatismo, afinal, as coisas não correram assim tão mal. O Presidente foi eleito e não se vislumbrou nada que prejudicasse ou tornasse a eleição ilegítima. Nada indica que, nas Eleições Autárquicas, alguém possa ser prejudicado pela pandemia.

Em segundo lugar, vivemos num País e numa região autónoma que precisa de normalidade, necessitam ambos urgentemente de repor as rotinas que põem a economia e o resto da sociedade a funcionar em pleno.

Os políticos, ou pelo menos a generalidade dos atores políticos, gostam de protelar, de adiar, de analisar, de esperar sempre por uma melhor conjuntura. Parece que a eles, a essa faixa de atores políticos, dá sempre tempo. Por razões que se entende e não se pode contornar, estamos quase ‘parados’, à espera que o tempo passe. Ora, o nosso País e a nossa região autónoma precisam que se retome a normalidade.

Todos sabemos que os calendários da política influenciam o resto dos setores. Numas coisas decide-se à pressa e sem respeito pelos fundamentos legais, noutras protela-se e evita-se sem pressa nenhuma.

Adiar eleições significa ficar mais uns tempos com diversas urgências em ‘banho maria’. Exatamente como alguns gostam muito de estar. Mas não vivemos apenas de aspirações e calendários políticos. Precisamos de produzir, de agir, de não ficar parados.

Não significa qualquer menosprezo pelos políticos e pela política. As Eleições Autárquicas são importantíssimas, envolvem mais de mil candidatos apenas na Madeira. Serão preponderantes na sociedade madeirense, em todos os setores. Mas para não verem diminuída essa preponderância e utilidade, as Eleições Autárquicas devem ocorrer no prazo em que estavam marcadas.

Já chega de compassos de espera.