Compadres contra comadres

Não é uma guerra, mas é uma rivalidade com dezenas de anos em Santana.

Todos os anos por esta altura há sempre alguém que não se esquece de se meter com as comadres e vice-versa.

Manda a tradição que as quintas-feiras que antecedem o Carnaval sejam dedicadas as estas “lutas”.

Mesmo em tempo de pandemia este ano a época não foi esquecida.

Os compadres e as comadres apareceram enforcados em vários pontos do centro da cidade de Santana.

Diferente foi apenas o facto de não haver a festa com o seu ponto alto que é o julgamento dos compadres. Isso não aconteceu, mas a sátira que normalmente caracteriza este momento não ficou na gaveta.

Por estes dias circularam por Santana algumas dezenas de versos em papel e até em áudio, satirizando figuras públicas e diversas entidades do concelho.
  São alguns dessas rimas que hoje aqui deixo:


Este ano no confinamento,
A comadre não se arranha.
Sem beijos e sem aperto,
Não tira a teia de aranha.


No Natal e fim do ano,
Muita gente foi à diversão,
Mostrar o fato e bom pano,
Encostados ao balcão.


Do Casino ao apartamento,
Até chegar ao quadrado.
Sem o distanciamento,
Foi o desfecho anunciado.


Ouve-se a desconfiança,
Em geral a cada esquina.
Pois a única esperança,
É que funcione a vacina.


Na Câmara Municipal,
Diz o povo sorrateiro.
Que regra geral,
Quem manda é o camacheiro.

 

O senhor presidente.
Lá pôs os galões.
Pois está bem consciente,
Que é ano de eleições.


Anda num braço-de-ferro,
Com o CDS dividido.
Se lhe fizerem o enterro,
Ele avança sem partido.


O presidente da Junta,
Também merece um boneco.
A pensar que alguém afronta,
Ou fica quieto.


Os compadres da Quinta do Furão,
Muitos “brunchs” organizaram.
Devém, ter lucrado pouco,
Mas muitos burros fartaram.


Este ano as missas do parto
Foram uma miséria fraquinha.
Porque no adro da Igreja,
Não havia a típica barraquinha.


A comadre deputada,
É um amor de pessoa.
Aquela ingenuidade toda,
Não traz coisa boa.


Já a outra deputada,
Perita em ironia.
Esforça-se para ser simpática,
Mas já não engana a freguesia.


Neste ano de pandemia,
Muito mais haveria por dizer.
Mas vamos dar por terminado,
Já que temos mais que fazer.


É Carnaval, ninguém leva a mal.